Read O Ano da Morte de Ricardo Reis by José Saramago Online

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A reconstrução da identidade imaginária de um dos heterónimos do poeta Fernando Pessoa constitui o mote do livro «O Ano da Morte de Ricardo Reis» (1984), um dos melhores romances de José Saramago. Ricardo Reis, tal como o título o deixa prever, é a personagem central do livro. A acção situa-se historicamente nos anos 30, época de plena consolidação da ditadura salazarista.A reconstrução da identidade imaginária de um dos heterónimos do poeta Fernando Pessoa constitui o mote do livro «O Ano da Morte de Ricardo Reis» (1984), um dos melhores romances de José Saramago. Ricardo Reis, tal como o título o deixa prever, é a personagem central do livro. A acção situa-se historicamente nos anos 30, época de plena consolidação da ditadura salazarista. Partindo das pistas biográficas de Ricardo Reis registadas pelo próprio Pessoa - um médico que se expatriara desde 1919 no Brasil, por motivos políticos -, Saramago imagina a personagem no seu regresso a Portugal em dezembro de 1935, descrevendo o seu quotidiano nos nove meses anteriores à sua morte. Ricardo Reis chega a Lisboa, aluga um quarto de hotel e depois um apartamento, envolve-se com duas mulheres, Lídia e Marcenda, é seguido pela polícia, além de receber sucessivas visitas do falecido Fernando Pessoa, o que contribui para acentuar o ambiente de irrealidade da ação....

Title : O Ano da Morte de Ricardo Reis
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ISBN : 9789896602291
Format Type : Paperback
Number of Pages : 397 Pages
Status : Available For Download
Last checked : 21 Minutes ago!

O Ano da Morte de Ricardo Reis Reviews

  • Rakhi Dalal
    2019-05-10 14:16

    The only difference between life and death is that the living still have time, but the time to say that one word, to make that one gesture, is running out for them. What gesture, what word, I don't know, a man dies from not having said it, from not having made it, that is what he dies of, not from sickness, and that is why, when dead, he finds it so difficult to accept death. My dear Fernando Pessoa, you're reading things upside down. My dear Ricardo Reis, I can no longer read. Improbable on two counts, this conversation is reported as if it actually took place. There was no other way of making it sound plausible.-----José Saramago Sometimes Silence is enshrouded in such disquiet that unheard voices have the loudest sound. Their echoes continue to haunt generations to come long after the voices have themselves ceased to exist. Among those haunted, there remain a few whose sojourn in the land of unheard is deliberately prolonged. Perhaps what haunts them is the echo of their own thoughts, sometimes resulting in a laborious love affair with words which benefits the readers like us in a twofold manner. Interestingly, even if those words, at a glance seem mundane, they carry with them such traces which make you feel nostalgic for that Silence you savored in the first place. This is how I can describe my reading experience of this work by Saramago featuring Fernando Pessoa. Pessoa’s “The Book of Disquiet” left a profound impression upon me and the knowledge of his creation of heteronyms (around 80) intrigued me even more. To be able to create such heteronyms and then to ascribe different personality traits and writing style to them, is a marvelous feat in my opinion, especially since it demonstrates the enormity of an otherwise trivial human existence. And this idea is what is precisely achieved by Saramago through his writing in this work. He creates a piece which befits his style and his personality, written in a manner quite ordinary (as demonstrated by the thoughts and life of Ricardo Reis, a heteronym of Pessoa, in this work) yet it captures the immensity of a banal existence so beautifully that it makes you ache more for the master. “We mourn the man whom death takes from us, and the loss of his miraculous talent and the grace of his human presence, but only the man do we mourn, for destiny endowed his spirit and creative powers with a mysterious beauty that cannot perish. The rest belongs to the genius of Fernando Pessoa.”It seems Saramago was enchanted not only by the creative power of Pessoa but also by his life, his everyday life. That is why he casts Ricardo Reis, a heteronym of Pessoa, as the central character here and offers us a glimpse into the master’s mind as he carefully constructs the character of a sluggish and estranged Reis, these traits being also associated with Pessoa during his lifetime. His deftness in using magical realism shines forth as he juxtaposes Reis and Pessoa in the novel. Reis comes to Lisbon after the death of Pessoa and visits his grave. He is then visited by the ghost of Pessoa and the two engage in conversations whenever they meet. The conversations are cerebral at times which only seems to suggest the kind of struggle Pessoa, who mostly remained solitary, went through during his lifetime. “If I accept sleep, it's to be able to dream, To dream is to be absent, to be on the other side, But life has two sides, Pessoa, at least two, we can only reach the other side through dreams, you say this to a dead man, who can tell you from his own experience that on the other side of life there is only death. Well I don't know what death is, but I am not convinced that it is this other side of life we are discussing, because death, in my opinion, limits itself to being. Death is, it does not exist, it is. Are being and existing not the same thing then, No, my dear Reis, being and existing are not the same thing, and not simply because we have these two different words at our disposal, on the contrary it is because they are not the same thing that we have these two words and make use of them.”Being and existing are not the same things. Sometimes we just exist, as life exists but without being aware of this existence. We stride through life as in a dream, languid and aloof. Sometimes we struggle to be on the other side, to feel intensely and make out some meaning, to seek answers and to elevate. And perhaps these are the two sides of life which are indispensable, which are necessary to navigate through this world. I am still not sure why Saramago named this work as “The Year of the death of Ricardo Reis”, maybe I am looking for too much, may be this way he pays his tribute to the master, by saying all those words that Pessoa didn’t in his lifetime and thus finally letting him rest in peace.

  • João Carlos
    2019-05-05 10:30

    Fernando Pessoa (1888 - 1935)José Saramago (1922 – 2010), Prémio da Literatura 1998, publicou o romance “O Ano da Morte de Ricardo Reis” em 1984.Tal como o título indica, José Saramago, constrói a narrativa recorrendo a Ricardo Reis, a personagem principal do romance com uma identidade imaginária, um dos heterónimos do poeta e escritor Fernando Pessoa, “ele próprio”, uma personagem secundária.Ricardo Reis, com quarenta e oito anos de idade, natural do Porto, solteiro, médico e poeta, com última residência no Rio de Janeiro, regressa a Portugal em Dezembro de 1935, após dezasseis anos de auto-exílio no Brasil, alojando-se primeiro no Hotel Bragança, na proximidade do Cais do Sodré, e mais tarde aluga um apartamento na zona do Miradouro de Santa Catarina em Lisboa. Lisboa e Portugal vivem um dos períodos mais sombrios da sua história; a ditadura de Salazar, conjugada no discurso e na propaganda ideológica fascista, a repressão e a intervenção da polícia política do Estado Novo, a PIDE; inúmeros acontecimentos políticos e militares, num contexto geográfico europeu, igualmente, em transformação, como a Guerra Civil em Espanha, a ascensão ao poder de Mussolini em Itália e a expansão da ideologia nazi na Alemanha de Adolf Hitler, são alguns dos exemplos que José Saramago destaca n´“O Ano da Morte de Ricardo Reis”.José Saramago associa de uma forma magistral a relação entre a vida e a morte, entre o heterónimo Ricardo Reis e o seu “criador” Fernando Pessoa, numa efectiva autonomia biológica, vivendo e sobrevivendo à morte do poeta, mantendo uma “proximidade” física, que se revela e que se acentua pela convivência e pelos diálogos reais e/ou imaginários entre as duas personagens, sobre factos e acontecimentos reais que ocorreram nos anos 30. Em determinadas partes d´“O Ano da Morte de Ricardo Reis” achei a componente histórica excessiva e considero que a viagem ou a “peregrinação” a Fátima está um pouco descontextualizada do comportamento de Ricardo Reis.“O Ano da Morte de Ricardo Reis” é um excelente romance, onde se revela a genialidade da escrita de José Saramago, uma prosa única e original, em que os desafios linguísticos e semânticos são permanentes, nomeadamente, na construção do texto e na supressão de algumas regras gramaticais e de pontuação, que conferem aos seus livros uma fascinante viagem pela história e pela literatura. José Saramago (1922 - 2010)"Aqui o mar acaba e a terra principia." (Pág. 11)"Um homem deve ler de tudo, um pouco ou o que puder, não se lhe exija mais do que tanto, vista a curteza das vidas e a prolixidade do mundo." (Pág. 137)"Aqui, onde o mar se acabou e a terra espera." (Pág. 407) "(...) a solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que está dentro de nós..." (Pág. 220)

  • Carmo
    2019-04-23 16:33

    Não sei se esta é a história de Ricardo Reis, ou se Saramago o usou como pretexto para dar a conhecer o mundo, particularmente a Europa, no ano de 1936.Em qualquer dos casos, Ricardo Reis volta a Portugal, depois do exílio no Brasil, quando tem conhecimento da morte de Fernando Pessoa.Desembarca numa Lisboa sombria; sombria pelo tempo chuvoso e pelo clima político e social que se vive no país.Numa narrativa onde a melancolia dá mãos à beleza, o autor disseca a realidade crua de uma das piores fases deste país; uma população esmagada sob um regime ditatorial, sem justiça, sem esperança, a depositar a última fé de salvação nos hipotéticos milagres de Fátima.O futuro é incerto, sobretudo com a Europa unida num abraço fascista que abarca a Alemanha de Hitler, a Itália de Mussolini, a Espanha de Franco, e Portugal; que se ajoelha perante o "salvador" da Pátria, Salazar, louvado e temido na mesma medida.Perante este cenário, Ricardo Reis, na sua costumada pasmaceira de viver sem nada ambicionar, conformado com a efemeridade, tendo a morte como única certeza, vai tomando conta do estado da nação, sobretudo pelos jornais. Mero espectador, o seu senso crítico é nulo e Saramago serve-se dele para expor a sua crítica pessoal com a ironia e sarcasmo habituais.Mal Ricardo Reis pôs os pés em terra começou a receber visitas se Fernando Pessoa, que vem do mundo dos mortos para encontros onde discutem a vida, o mundo à sua volta, os amores e a conduta do poeta. Foi o lado irreal da história, e onde a ficção e a realidade coexistiram de uma forma fascinante.A mulher forte desta obra é Lídia: criada no hotel onde o poeta se hospedou, começa pouco tempo depois a fazer-lhe "visitas noturnas". Mulher do povo, inculta, pouco espera da vida mas é ciente da realidade e destemida.Ricardo Reis faz-lhe um filho - que não pretende reconhecer- e Lídia nada exige, aceita o seu destino. Ela que era a sua ligação ao quotidiano, vai ficando mais independente, vai-se afastando, e ele vai caindo no marasmo. Ricardo Reis desiste de viver. Lídia enfrenta a vida carregando no ventre a esperança de um melhor futuro.Outro dos pontos fortes deste livro é o roteiro lisboeta percorrido por Ricardo Reis. Muitos o fazem e eu também o fiz. Foram três dias a subir e descer ruas, ao segundo, pés e pernas já pediam clemência, ao terceiro parecia uma aleijadinha. Mas foi inesquecível!Quer pelo valor indesmentível da obra, quer pelas recordações da fantástica maratona pedestre, este é um dos livros especiais que só a demência poderá apagar da minha memória.

  • Claudia
    2019-04-24 16:36

    Vou tentar descrever o que senti durante a leitura deste livro maravilhoso de José Saramago. O Ano da Morte de Ricardo Reis é absolutamente fantástico. Fez-me amar mais Lisboa, as pessoas e a vida. O escritor conseguiu surpreender-me ao longo da leitura e viver algumas semanas no ambiente característico do século XIX. A mentalidade do povo português pouco mudou. Ricardo Reis regressa do Brasil depois de estar dezasseis anos longe do seu país. O estranhamento inicial e a procura de um lugar para chamar de lar. Passear pelas ruas lisboetas pelo olhar do médico foi agradável. A paixão e o amor entre duas mulheres tão diferentes. Personagens femininas fantásticas. Quando estas mulheres roubam a cena ao protagonista são, sem dúvida, as minhas partes preferidas.Li o livro de forma lenta como a narrativa pede. São expostos vários temas a partir das observações dos personagens e acontecimentos. Os diálogos entre Ricardo Reis e o seu criador deixaram-me fascinada com a forma brilhante como o escritor resolveu contar esta história. Imersa enquanto folheei as páginas deste livro. Mexeu com as minhas emoções e emocionou-me.Havia tanto a dizer mas eu não sou capaz. Cinco estrelas. blog: www.amulherqueamalivros.blogs.sapo.pt

  • Nelson Zagalo
    2019-04-27 12:33

    Este foi o oitavo livro de Saramago que li, comparativamente é talvez a sua melhor obra literária, não fazendo isso deste o seu melhor livro. A escrita, a investigação, a estrutura e a intertextualidade fazem deste trabalho uma obra de grande valor no domínio da arte das letras, contudo à história falta enredo e essencialmente conflito, o que torna a sua leitura um tanto espessa, por vezes penosa até, para o leitor.[Ler com formatação, links e imagens no VIhttps://virtual-illusion.blogspot.pt/...]“O Ano da Morte de Ricardo Reis” é apenas o quinto romance do autor, sendo precedido em dois anos pelo não menos relevante “Memorial do Convento” (1982), e claro suportado por toda uma experiência acumulada por Saramago nos seus, até à publicação do texto, 62 anos. Visto deste modo, espanta menos a complexidade apresentada, ainda que o que aqui temos não esteja ao alcance de qualquer escritor. Neste sentido, para se poder verdadeiramente apreciar a obra é necessário realizar algum esforço de análise e estudo, para o que tentarei apontar aqui algumas linhas que facilitem essa análise e entrada no texto.Primeiramente, e talvez o mais sobejamente conhecido, cabe identificar quem é, ou foi, Ricardo Reis. Um dos quatro mais reconhecidos heterónimos de Fernando Pessoa, com uma faceta marcada pela poesia clássica da Roma Antiga, nomeadamente Horácio (65 a.c. - 8 a.c.), daí que o estilo de Reis seguisse de perto as estruturas das Odes, com uma queda para os temas amorosos. Saramago escolheu-o por gosto pessoal, mas em especial por ter verificado que Reis era o único dos quatro que Pessoa não tinha morto, tendo resolvido-se a terminar o trabalho iniciado por Pessoa.Como nenhum dos heterónimos de Pessoa era totalmente autónomo de si, Saramago opta por construir uma escrita que apesar de suportada em alguns temas de Reis, segue mais de perto o estilo geral de Pessoa. Basta ler algumas passagens da obra, para se perceber que sendo Saramago quem escreve, parece ser Pessoa quem dita, e é desde logo aqui que a obra começa a ganhar a sua relevância, dando conta da capacidade de Saramago para incorporar e elaborar diferentes estilísticas. Ao mesmo tempo que esta fusão entre Saramago e Pessoa é, talvez, do ponto de vista do prazer da leitura, o que de melhor a obra tem para nos dar.“Vivem em nós inúmeros, se penso ou sinto, ignoro quem é que pensa ou sente, sou somente o lugar onde se pensa e sente, e, não acabando aqui, é como se acabasse, uma vez que para além de pensar e sentir não há mais nada. ”“Estás só, ninguém o sabe, cale e finge, murmurou estas palavras em outro tempo escritas, e desprezou-as por não exprimirem a solidão, só o dizê-la, também ao silêncio e fingimento, por não serem capazes de mais que dizer, porque elas não são, as palavras, aquilo que declaram, estar só, caro senhor, é muito mais que conseguir dizê-lo e tê-lo dito.”“Não é Ricardo Reis quem pensa estes pensamentos nem um daqueles inúmeros que dentro de si moram, é talvez o próprio pensamento que se vai pensando, ou apenas pensando, enquanto ele assiste, surpreendido, ao desenrolar de um fio que o leva por caminhos e corredores ignotos (..)” Saramago, José. “O Ano da Morte de Ricardo Reis.” 1984Em termos da narração, apesar de termos apenas um narrador, Reis, ele não é apenas ele, ou seja não temos poesia na forma de odes, como nunca o poderia ser sendo heterónimo de Pessoa, que enquanto tal nos vai tocando com as suas preocupações mais profundas sobre o devir, mas também não é apenas Pessoa, sendo Saramago quem romanceia, desde logo por toda a acidez política que se vai desvelando ao longo da obra, assim como pela sexualidade que emerge, estranha a Reis e Pessoa. Ou seja, ler este romance é viver o mundo simultaneamente pela experiência de três distintas personalidades.Refletindo agora, não sei até que ponto a complexidade implícita neste narrador não terá servido de motivação a Saramago para aplanar o enredo, e assim garantir tempo, mas acima de tudo espaço para o acesso a cada uma das três experiências nele presentes. O que ajuda a compreender toda a relevância, detalhe e investigação sobre a geografia de Lisboa apresentada na obra por Saramago, nomeadamente quando se representa uma Lisboa de 1935, a partir de linhas escritas quase 50 anos depois. Este trabalho é tão minucioso e relevante, que a Porto Editora se prepara, pelas mãos de Ricardo Cruz, para lançar um livro sobre os espaços do livro em 2017, contrastados com os dos anos 1930.[imagem]Saldanha, Lisboa (F. Cunha, c. 1930)O ano de 1935 não é fruto do acaso, é o ano da morte de Pessoa, como tal é aí que Saramago resolve voltar na sua viagem no tempo. E se Reis estava no Brasil exilado, é a Lisboa que resolve voltar para saber mais sobre a morte de Pessoa. E se Saramago apresenta uma Lisboa de 1935 tão detalhada, não faz menos pela História, tanto nacional como internacional. Relembrar que o livro foi escrito apenas dez anos após a nossa revolução de 1974, vive-se ainda com o sentir muito colado a um ditador que marcou a História do país por mais de 40 anos, e chegou ao poder apenas 3 anos antes de Pessoa se despedir. Por outro lado a Europa vive tempos muito atribulados, com Mussolini em Itália, Hitler na Alemanha, e Espanha em plena guerra civil.Mais uma vez refletindo, não deixa de ser algo excêntrico a contundente crítica de Saramago ao nacionalismo do Estado Novo, à sua ânsia por estimular os valores nacionais, relembrando o prémio de Ferro a Pessoa pelo poema “Mensagem” ou a referência ao “Dia da Raça”, e no entanto todo este “O Ano da Morte de Ricardo Reis” ser um autêntico hino às letras nacionais. Se o espaço é Lisboa, Saramago usa-o para nos conduzir, pela mão de Reis, até à estátua de Camões, mantendo o poeta presente ao longo de quase toda a narrativa, não se ficando por aí, levando-nos também até Eça e ao Adamastor. Assim se Saramago nos obriga a respirar as letras nacionais, ler esta obra hoje, depois de tudo o que alcançou como escritor, leva-me a interrogar sobre o que mais se poderia pedir a uma obra de enaltecimento do nosso país? Teria Saramago consciência de tal? Mesmo no campo da intertextualidade parece haver uma certa fixação, já que se a grande extensão das citações e referências se fazem para com Reis, Pessoa e Camões, ou ainda Eça, o facto de ser ir buscar Jorge Luís Borges para autor do livro que acompanha Reis durante a sua estadia em Portugal, não é inocente. Borges foi uma das várias mentes brilhantes que proveio de famílias judias expulsas de Portugal no século XVIII.No campo das personagens, Saramago junta a Reis duas mulheres, Lídia e Marcenda. Lídia assume o primeiro plano, apesar de sempre atirada para um papel secundário, mas o que é ainda mais interessante é o facto de Lídia ser o principal amor das Odes de Ricardo Reis, tendo Pessoa ido buscá-la às Odes de Horácio, e não foi o único. Contudo como diz António Manuel Ferreira, ao contrário de outras personagens históricas ou ficcionais — como “Adriano, Efigénia, Antígona, Cassandra, Ganimedes, Antínoo, ou Ofélia” — Lídia é alguém não só praticamente desconhecida, como não detém especificidade, e assim talvez se perceba melhor o modo como Saramago a trata, secundarizando-a. Em certa medida, Lídia lembra Ofélia Queiroz, a única namorada conhecida de Pessoa, que tendo-o sido, foi-o quase sem o ser, e talvez seja mesmo este ponto que justifica a opção de Saramago.“Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamosQue a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.(Enlacemos as mãos).” Pessoa, Fernando. “Poesia Completa de Ricardo Reis.” 12-6-1914O enredo acaba sendo o parente mais pobre de toda a obra. Saramago parte com uma excelente premissa, “como teria morrido Reis se Pessoa tivesse tido tempo para o matar?”. Contudo, e apesar de apimentado com um triângulo amoroso, apesar da presença fantástica de Pessoa fantasma, que visita Reis nos nove meses após a sua morte, o enredo é quase inexistente. Reis limita-se a chegar a Lisboa e a nela deixar-se viver, segue um dia para Fátima, que Saramago aproveita para dissertar sobre a religião, mas de resto não arreda pé, nem do espaço, nem da pessoa que é. É certo que o niilismo de Reis e Pessoa nunca se dariam muito facilmente aos artifícios romanescos, em especial o conflito, que serve de alavanca à progressão, evolução e transformação, mas Saramago soube dar a volta a tantas outras componentes, não ficando claro porque aqui não o fez. Não é uma incapacidade de Saramago, basta atentar na obra anterior — “Memorial…” —, no entanto temos de admitir que é uma forma de enredo que apesar de funcionar em pequenos poemas, perde em fluidez no modo romance, tornando a leitura bastante lenta e difícil."Nada fica de nada. Nada somos.Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamosDa irrespirável treva que nos pese Da húmida terra imposta,Cadáveres adiados que procriam.Leis feitas, estátuas vistas, odes findas -Tudo tem cova sua. Se nós, carnesA que um íntimo sol dá sangue, temos Poente, porque não elas?Somos contos contando contos, nada"Pessoa, Fernando. “Poesia Completa de Ricardo Reis.” 28-9-1932Tendo em conta a dificuldade de leitura, sou obrigado a questionar as razões que levaram o Ministério da Educação a tornar obrigatória a leitura desta obra no 12º ano nos anos lectivos de 2017/18 e 2018/19, sendo depois destes permitida a opcionalidade com “Memorial do Convento”. Como fica claro deste texto, considero as duas obras do melhor que Saramago nos deu, mas tendo em conta a dificuldade de leitura apresentada por “Ricardo Reis…” não consigo compreender a obrigatoriedade tendo em conta a idade dos leitores. Não é assim que garantimos uma motivação para a leitura nestas camadas.Para fechar, deixo-vos com a máxima de Saramago, em entrevista, a propósito deste livro: "Neste livro nada é verdade e nada é mentira".Texto publicado no VI em:https://virtual-illusion.blogspot.pt/...

  • Jonathan
    2019-04-29 15:33

    There are certain writers, and Saramago is clearly one of them, whose voice is so well defined we can recognise it within a few words. Even his less successful Novels are intensely pleasurable for me to read, simply because I love spending time in the presence of his voice (as translated by the wonderful Giovanni Pontiero of course). And here, in this text, we open the first page and read as follows:”Here the sea ends and the earth begins. It is raining over the colourless city. The waters of the river are polluted with mud, the riverbanks flooded. A dark vessel, the Highland Brigade, ascends the sombre river and is about to anchor at the quay of Alcântara. The steamer is English and belongs to the Royal Mail Line. She crosses the Atlantic between London and Buenos Aires like a weaving shuttle on the highways of the sea, backward and forward, always calling at the same ports, La Plata, Montevideo, Santos, Rio de Janeiro, Pernambuco, Las Palmas, in this order or vice versa, and unless she is shipwrecked, the steamer will also call at Vigo and Boulogne-sur-Mer before finally entering the Thames just as she is now entering the Tagus, and one does not ask which is the greater river, which the greater town.” There is so much to love in this paragraph alone – all those illimitable “e”s in the first sentence, the melancholic suggestiveness of the rain, the dark vessel, the sombre river…The foreshadowing of the “Eternal Return” in the repetitious journey of the steamer…I don’t know. For me, such a paragraph is enough to inspire trust and guarantee a committed reading.There were a few of his novels that were fighting for a place in my Most Elite shelf (Worshiped and Adored being the most accurate description of my feelings for these texts), this one won out partly, I think, because it is woven tight to Pessoa, another of my literary loves (though I don’t think knowledge of his work is a prerequisite for reading this novel).Regardless, I shall end with a quote from Reis himself:“Numberless live in us;I think or feel, ignorantOf who is thinking or feeling.I am only the place whereSomeone feels or thinks.I have more than one soul.There are more I’s than I.Even so I existIndifferent to them all.I silence them: I speak.Crossed impulses of thatWhich I feel or do not feelDispute in who I am.I ignore them. They dictate nothingTo whom I know I am: I write. “ - Ricardo Reis (Pessoa)

  • BlackOxford
    2019-04-24 18:28

    Deep Inside LisbonHow is it possible to combine Kafka, Proust, and Borges to create something entirely unique and compelling? Only Saramago knows for sure. With him Portugal is the home of Everyman who copes with the quotidian as well as the bizarre with panache and fortitude. As an incidental benefit, Ricardo Reis also provides a synopsis of Iberian literary history as well as an interesting travelogue of Lisbon. Read this with Google Earth at hand as he takes you round Baixa and Rossio.

  • André
    2019-05-14 11:29

    Num regresso que recupera a nostalgia do épico de Camões, Ricardo Reis é somente um fragmento que chega de um sonho, de uma terra distante onde tudo é considerado irreal e fantástico. Regressa por esse rio Tejo, nobre conquistador de terras longínquas. Porque volta e para onde vai, é a questão fulcral neste O Ano de Morte de Ricardo Reis de José Saramago.Para que faz Saramago regressar afinal Ricardo Reis? Para o confrontar com o país que deixou dezasseis anos antes? Talvez. Para morrer? Sem dúvida. Mas vem sobretudo para confrontar a sua poesia e o seu epicurismo com a realidade da sua terra e do resto do mundo. Vem agarrar-se à realidade, em busca de descobertas impossíveis, mas deixa sempre aberta a possibilidade da fuga para o reconfortante fantástico de onde veio. Reis vem para existir nas ruas de Lisboa no ano de 1936, nesse estranho tempo novo, desconhecido, de difícil compreensão. Um estrangeiro, como tão bem Reis saberia ser. Uma coisa parece certa, pelo título do livro. Ricardo Reis vai morrer. Mas alguma coisa de Reis terá de sair ilesa dessa morte. E isso é somente a compreensão. A compreensão de uma personagem negativa, desistente que regressa a um país pautado por chuva e subjugado pelo fascismo.Neste mundo labiríntico, estranho, reinventado que tem de ser percorrido, José Saramago reinventa Ricardo Reis num labirinto do ser que ele tem de percorrer para encontrar a sua identidade. É um labirinto pelas ruas da solidão. Da solidão do que não existe. Uma solidão partilhada, singular, plural. Uma solidão que é de ontem e de hoje. Uma solidão labiríntica de vozes, ecos e rumores. Ricardo Reis é um ser só em Lisboa de 1936. Terá sido assim toda a sua vida? Reis é o poeta clássico, esse Virgílio que se faz acompanhar por um certo Dante à descida aos infernos. «Sumir-me-ei entre a névoa, como um estrangeiro a tudo. ». É Fernando Pessoa que nos escreve isto n’ O Livro do Desassossego. Poderia ter sido muito bem Ricardo Reis a fazê-lo, pois é entre a névoa, de livro debaixo do braço que ele se some do tumulto do mundo.

  • Cat
    2019-05-12 15:18

    Every time I read a book by Saramago I feel sad because he is no longer among us, to delight us with his writing, and that feels terrible. I felt this once more while reading this book, and I think I will feel it when I read the books I haven't read yet.Having said this, I had a wonderful time reading this book. Basically it tells what happens when Ricardo Reis, one of Fernando Pessoa's heteronyms, returns to Lisbon after sixteen years living in Brazil. There is a revolution in that country, Reis learns that Pessoa has died, and he makes up his mind to return to Portugal. And finds that many things have change, only in his country but also in Europe. In the first months, Reis lives in a hotel and starts an affairs with a chambermaid called Lídia. There, he also meets Marcenda, a young lady from Coimbra, who suffers a mysterious condition that has paralyzed her left arm. Reis is a medical doctor but in is first times in Lisbon he does not practice. Instead, he walks around the city, reads the papers, and he's visited by Fernando Pessoa, who, despite being dead, is capable of visiting Reis (he offers a very interesting theory on this).After leaving the hotel, Reis finds a house to live and he even finds a job as a substitute doctor. But most of his time is spent walking around and learning the news, both national and international, throught the reading of the newspapers. And thus, we now how the life went in the Portugal of the mid-thirties, and in the world.Another great book.

  • Luís C.
    2019-04-25 14:32

    Difficult to "fit" into the novel without some clarification especially on the work of Pessoa who Saramago leave here a tribute: Pessoa had the distinction of creating not only the novel characters but also of the authors of who the heteronyms which he exchange with, who he berates that protects and make full advantage of his work indeed the writer from his first texts demonstrates an appetite for madness schizophrenia and personalities than double this meeting imagine by Saramago between Pessoa and his "other.

  • فهد الفهد
    2019-05-15 18:23

    سنة موت ريكاردو ريس إذا لم تكن برتغاليا ً أو مطلعا ً على الأدب البرتغالي، ولم تقرأ المقدمة التي وضعها المترجم تحت عنوان ( إلى القارئ)، واعتذر فيها عن اضطراره للتفسير وأخذ يدك خلال الرواية، فستكون الحكاية بالنسبة لك، طبيب برتغالي يعود من البرازيل حيث عاش 16 عاما ً، ما الذي أعاده؟ لا ندري !!! ما الذي كان يفعله في البرازيل خلاف أن يطبب الناس؟ لا ندري !!! يأخذنا الطبيب، الذي يتكشف عن شاعر، عبر حياة جديدة يعيشها في البرتغال، في فندق ومن ثم في شقة يحصل عليها بعدما تضيق عليه السلطات البرتغالية قليلا ً، لشكوكها فيه، فذلك العصر حيث الثورات الشيوعية في كل مكان، وخاصة في البلد المجاور – أسبانيا -، يأخذنا الطبيب كما كنا نقول في علاقتين عاطفيتين، إن كنا متجوزين وسمينا العلاقة الأولى الجسدية تماما ً مع خادمته في الفندق بالعلاقة العاطفية، أما علاقته التالية فلم يكن فيها شيء جسدي، وكانت مع فتاة من نزيلات الفندق الشهريات، حيث تنزل به أياما ً من كل شهر، قادمة من مدينتها الصغيرة مع والدها، لتعالج يدها التي لم تعد تتحرك، ولكن الرواية ليست بكل هذه الواقعية، فهناك جانب خيالي سنحار في تفسيره عندما يلتقي الطبيب بشاعر برتغالي مات قبل أيام من وصوله من البرازيل، الشاعر يدعى ( فرناندو بيسوا) وبما أنه ميت، فالطبيب يلتقي بشبحه من حين إلى حين، وكل ما يفعلانه هو الحديث، هذا غريب !!! ولكنه ليس أغرب ما وجدناه في الروايات، إذن ما الذي يكسب هذه الرواية أهميتها في الأدب البرتغالي؟ هذا سؤال يقودنا جوابه إلى سؤال آخر، من هو ( فرناندو بيسوا)؟ يخبرنا المترجم عنه بأنه شاعر برتغالي كان لديه حلم بأن يكون هو بنفسه ( أدبا ً كاملا ً)، فلذا قام باختلاق شخصيات شعراء نشر تحت أسمائهم أعماله وقصائده ( البرتو كاييرو)، ( ألفارو دوكامبوس)، ( برناردو سواريس) و( ريكاردو ريس)، من هنا تبدو لنا المتاهة التي يدبرها لنا ساراماغو، فبطله ريكاردو ريس ليس إلا شخصية وهمية اخترعها شاعر برتغالي مات سنة 1935 م، ولكن ساراماغو يمنح هذه الشخصية الحياة، ويأتي بها من البرازيل – حيث وضعها موجدها – ليعيش في البرتغال ويكون شاهدا ً على تلك الفترة من تاريخها، وليلتقي بموجده ومبتكره بيسوا، أجمل ما بدا لي في فكرة الرواية هو أنه للحظة يبدو لنا ريكاردو ريس والذي لطالما كان مجرد فكرة في ذهن بيسوا، شخصا ً حقيقيا ً يتخيل كل هذه اللقاءات ببيسوا، والذي يرتد من كونه حقيقة موجودة إلى مجرد وهم يخلقه كاتب آخر هو ساراماغو، ولنتخيل يوما ً يأتي فيه كاتب برتغالي آخر – لن يكون هناك معنى لو جاء كاتب غير برتغالي -، ويصنع من ساراماغو حكايته، ستكون هذه لمحة ساخرة، من سارماغو الساخر دوما ً، ربما تتساءل الآن لم كتبت كل هذا بهذه الطريقة المتصلة، الكئيبة وغير المبهجة للعين !!! حسنا ً... هكذا قرأت الرواية، يقول المترجم أن ساراماغو كتب هذه الرواية بهذه الطريقة، وأنه احتراما ً لطريقته ترجمها بذات الأسلوب، ولا أظن أنكم تريدون مني أن أكون أقل احتراما ً !!!

  • Luís Paz da silva
    2019-05-17 11:21

    Em 1988, uma das curvas apertadas da vida (serviço militar), desaguou-me em Mafra. Pareceu-me, então, ser uma excelente altura para, lendo o Memorial do Convento, iniciar-me em Saramago de quem tanto ouvira e nada houvera lido - e o muito que ouvira era essencialmente político e pouco abonatório. Adiante. Não consegui terminar as andanças de Blimunda e Baltasar Sete-Sóis: habituado a outros cânones literários (Steinbeck, Hemingway, então os meus faróis), o estilo de Saramago era-me desconfortável.Muitos anos volvidos, foi-me veementemente recomendado por alguém cujas leituras não merecem reparo. E assim, volvidos quase 30 anos, aventurei-me a pegar neste O Ano da Morte de Ricardo Reis.Em boa hora o fiz, o livro é espantoso, lê-lo é (foi) um prazer. Fazem-se descobertas: a erudição de Saramago é um dado adquirido, sabe-se pelos dados biográficos que foi um auto-didacta, um rato de biblioteca - a sua biblioteca em Lanzarote faz-nos perder o ar! Mas do seu seu sentido de humor, não suspeitava. Nem do seu extraordinário talento com as palavras, usando um vocabulário que, não sendo extenso, é rigoroso e preciso."... quando o que em nós pensa está apenas sentindo..." ou "há circunstâncias em que calar-se é mentir." são modestos exemplos, que me ocorrem ao correr da pena, da genialidade das frases simples.Camillo era um sarcástico verrinoso. Eça, um humorista de fina ironia. Saramago é a síntese de ambos, sem perder a originalidade.Gostei tanto que, limpo o pó de trinta anos, voltei ao Memorial, com renovada expectativa. Oxalá não me arrependa.

  • ifjuly
    2019-05-23 13:15

    this book is so beautifully written it hurts. it made me promptly go out and read other saramago, but nothing (including blindness) has compared yet (i'm going to read baltasar and blimunda soon...). and the meta pomo on top of pomo backbone with pessoa and multiple character identities inhabiting books and wandering around in them, breathing and really walking around having lives and tributes inside other tributes, is ! pretty much perfect, i say.

  • Sarah saied
    2019-05-18 16:34

    سيأتي يوم ينكرونك فيه مائة مرة..ويوم آخر ستكون أنت من يتمني ذلك فيه..رواية هي من أقسي ما قرأت لساراماجو...

  • Inês
    2019-04-25 17:29

    É do conhecimento público que eu adoro Saramago, é provavelmente o meu escritor preferido. Ainda assim, este livro é demasiado para mim. Ou eu sou demasiado pequena para ele. Vamos precisar de nos reencontrar daqui a uma ou duas dezenas de anos. Espero que ele esteja igual.Espero que eu esteja mais sábia.«Sempre vivi só, Também eu, mas a solidão não é viver só, a solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que está dentro de nós, a solidão não é uma árvore no meio duma planície onde só ela esteja, é a distância entre a seiva profunda e a casca, entre a folha e a raiz.»

  • Joselito Honestly and Brilliantly
    2019-04-28 17:40

    My first book by Joselito Saramago, 1998 Nobel Prize winner for literature.Ricardo Reis, a middle-aged poet and doctor of medicine, left Portugal sixteen years ago for Rio de Janeiro (Brazil) but has decided to come back after learning about the death of his friend, the poet Fernando Pessoa. At Lisbon, he stayed in a hotel and met a chamber maid named Lydia. They began an affair. After cleaning his room, Lydia cleans him too, using her natural juices as water and her body as a mop. Occasional tenants of the hotel, too, were the aristocratic Marcenda and her lawyer-father. They ostensibly visit Lisbon to get medical treatment for Marcenda's paralyzed left arm, but her father's real purpose is to see his mistress in the city. Ricardo Reis and Marcenda almost had an affair, he even proposed marriage to her once (something he never did to Lydia), but all they managed to do was to have some lip action a few times.Another frequent visitor of Ricardo Reis was Fernando Pessoa. You may ask why, when the latter, as per narration above, was supposed to have died already. Well, he was a ghost. Senor Pessoa, however, denies he is a ghost. He said ghosts come from another world, but he comes only from the cemetery where he was buried.Eventually, Ricardo Reis leaves the hotel and rents an apartment. Lydia follows him there, taking breaks from her hotel work, and continues her cleaning chores for Ricardo Reis. She gets pregnant. Hitler and Mussolini gain power, civil war erupts in nearby Spain, and Ricardo Reis has lots of thoughts about religion, war, poetry, death, the baby and Portugal.When my eyes were reading this novel my brain was standing behind them peering over their shoulder and occasionally asking what did he say? (better remove the question mark, this novel had numerous questions from its characters but Joselito Saramago never used a single question mark). Like when Ricardo Reis was reviewing a poem of his, about him thinking and feeling, he muses:"If I am this,who will be thinking at this moment what I am thinking, or think that I am thinking in the place where I am, because of thinking. Who will be feeling what I am feeling, or feel that I am feeling in the place where I am, because of feeling. Who is using me in order to think and feel, and among the innumerable people who live within me, who I am, Who...what thoughts and feelings are the ones I do not share because they are mine alone. Who am I that others are not nor have been nor will come to be."My brain then stopped my eyes from reading and asked what did he say. He asked if he was like that who will be thinking at this moment what I am thinking, or think that I am thinking in the place where I am, because of thinking, who will be feeling what I am feeling, or feel that I am feeling in the place where I am, because of feeling, who is using me in order to think and feel, and among the innumerable people who live within me, who I am, Who...what thoughts and feelings are the ones I do not share because they are mine alone, who am I that others are not nor have been nor will come to be. Yes, but what did he mean by that. We don't know, you're the brain here, you want us to read it again. Yes, please do read it again because I am blind.You may ask, what style is that, dialogues without quotation marks, the exchanges made into sentences and with questions ending with a simple period. Well, that's Joselito Saramago's style, at least in this book. If you don't like it, then don't read the book. After all, Senor Saramago, God bless his soul, said you're not expected to read everything--"A man must read widely, a little of everything or whatever he can, but given the shortness of life and the verbosity of the world, not too much should be demanded of him."As my goodreads friend Emir once said, there are too many books but so little time (before he got married, it was too many women he was complaining about). We know what books are, we have lists of them, but what is time. Joselito Saramago, Nobel Prize winner, has the answer to that:"Time drags like a sluggish wave, it is a sphere of molten glass on whose surface myriad glints catch one's eye and engage one's attention, while inside glows the crimson, disquieting core. Days and nights succeed each other in oppressive heat that both descends from the sky and rises fromm the earth."Then, to clarify things, his protagonist Ricardo Reis recites a poem:"In a changing, uncertain confluence as the river is formed by its waves so contemplate your days and if you see yourself pass as another be silent."What did he say, asked my brain. My eyes, then engrossed, said shhhh, we are reading, be silent.

  • Simona
    2019-04-30 11:16

    Non è mai facile per me raccontare ciò che Saramago è in grado di regalarmi e darmi, ma questa volta cercherò di valicare il confine delle emozioni e essere più razionale possibile per parlare di questo libro."Qui dove il mare è finito e la terra attende" si narra la storia di Ricardo Reis, uno degli eteronimi dietro cui si cela la figura di Fernando Pessoa. Saramago introduce la figura di Ricardo Reis presentandoci un medico-poeta che ha vissuto per ben 16 anni in Brasile e che giunge sulle coste del Portogallo scendendo dall'Highland Brigade, la nave che lo porta a casa. Una figura di carne e di sentimenti, di pensieri, di emozioni, di amore,che valica i confini del tempo per entrare nella storia, nel mito.E mentre il mondo continua a rotolare (vedi la guerra di Spagna), Ricardo Reis alias Fernando Pessoa è il faro che illumina, non solo il Portogallo, ma anche il mondo intero.

  • Patrizia
    2019-05-02 17:14

    L'ho letto con insolita lentezza, assaporando riga dopo riga, soffermandomi sulle parole e seguendo suggestioni, rimandi e richiami. Ho letto le odi di Ricardo Reis, per ritrovarle tra i pensieri del protagonista di questo uno e mille libri al tempo stesso (come Pessoa?).Già l'incipit, bellissimo, "Qui il mare finisce e la terra comincia", crea quell'atmosfera indefinita, sospesa tra sogno e realtà, che caratterizza l'intero romanzo. Una città reale, Lisbona, che l'acqua dell'oceano, del fiume e della pioggia, trasforma quasi in un'isola. E in effetti è su un'isola che vive Ricardo Reis, creatura di Pessoa, a lui sopravvissuto. Il mondo reale lo circonda, l'Europa sta per precipitare nel periodo più oscuro della sua storia, ma Ricardo Reis, quasi come Bernardo Soares alla finestra della sua stanza (Il libro dell'inquietudine) osserva attraverso il filtro dei giornali, “parole, notizie, è ciò che del mondo resta, l’altro resto è la parte di invenzione necessaria perché del suddetto mondo possa rimanere anche un volto, uno sguardo, un sorriso, un’agonia,”. E noi lo percepiamo anche attraverso gli occhi del direttore e del facchino dell'albergo in cui il protagonista si sistema inizialmente. E ancora dai racconti di Lidia, la cameriera che incarna un amore cantato nei versi che Ricardo ha scritto. Lidia e Marcenda (un nome o un "gerundio" significativo) sono le due figure femminili che Reis incontra e tra le quali il suo pensiero si divide: popolana e carnale una, di diversa educazione e livello sociale l'altra. È il racconto di un Portogallo ancora solo sfiorato dai tragici eventi della Storia, con quella pioggia insistente che sembra confermare l'idea che la natura partecipi alle tragedie dell'uomo.Ed è il sorprendente racconto di una solitudine disperata, bisogna capire che “la solitudine non è vivere da soli, la solitudine è il non essere capaci di fare compagnia a qualcuno o a qualcosa che sta dentro di noi, la solitudine non è un albero in mezzo a una pianura dove ci sia solo lui, è la distanza tra la linfa profonda e la corteccia, tra la foglia e la radice”È una storia di distanze, “il muro che separa i vivi gli uni dagli altri non è meno opaco di quello che separa i vivi dai morti”; di confini indefiniti tra realtà e sogno, tra vita e morte, in questa città in cui i vivi e i morti camminano fianco a fianco (come nella Lisbona di Berger, "Qui, dove ci incontriamo"). Solo qui, infatti, è possibile che Fernando Pessoa, morto nel 1935, trascorra ancora qualche mese dopo la morte (una sorta di compensazione per i mesi che abbiamo trascorso nell'utero materno) e si rechi a incontrare Ricardo Reis, suo eteronimo.Splendidi i dialoghi tra il grande poeta, scomparso “senza aver capito se è il poeta che si finge uomo o l’uomo che si finge poeta,” su vita, morte, io, tutte domande per le quali non esiste una risposta, così come “Non c’è risposta per il tempo, in esso siamo e assistiamo, niente più”. E il tempo li ingoia tutti e due, sfumando i contorni di Pessoa, finché non si avvieranno insieme verso il destino comune. Saramago ha concesso loro una proroga, un'indimenticabile opportunità di confronto. Così com'era iniziata, la storia si conclude “Qui, dove il mare è finito e la terra attende.”

  • Gabriele
    2019-04-22 12:25

    Il 30 novembre del 1935 morirono, nello stesso giorno, cinque fra i migliori scrittori portoghesi. Con la scomparsa di Fernando Pessoa non venne infatti solo a mancare la sua figura, ma anche quella dei suoi quattro "eteronimi", ovvero i quattro nomi d'arte che, in alternativa al suo, Pessoa utilizzò per firmare alcune delle sue principali opere letterarie: Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Bernardo Soares e Ricardo Reis.È proprio quest'ultimo che cinquant'anni dopo viene ripreso da José Saramago per "L'anno della morte di Ricardo Reis": lo scrittore portoghese omaggia il letterato più conosciuto del suo Paese rendendo protagonista del romanzo quel suo eteronimo, Ricardo Reis, portoghese emigrato in Brasile e rappresentante il lato più classico della letteratura occidentale. Nella storia di Saramago sarà lui, unico fra gli eteronimi a non avere una data di morte, a tornare a Lisbona all'indomani della scomparsa di Pessoa. In una Europa oramai prossima alla seconda guerra mondiale, lentamente cercherà di riprendere la normalità di una vita che oramai pensava di essersi lasciato alle spalle, percorrendo i suoi ultimi mesi di vita fra incontri con lo spirito di Pessoa e avvenimenti ben più terreni, come l'amore diviso fra una povera cameriera e una giovanissima ragazza malata. A far da contorno è però la guerra, sempre più incalzante, tanto che sarà essa a prendere negli ultimi capitoli la scena, abbandonando al nostro eteronimo uno spazio sempre più marginale.Il libro di Saramago è, appunto, un omaggio a Pessoa, e come tale va affrontato. Per chi Pessoa non lo conoscesse, "L'anno della morte di Ricardo Reis" risulterà un libro quasi indigesto e incomprensibile. La lentezza della narrazione e lo stile sembrano anch'essi ricalcare certi libri di Pessoa: "L'anno della morte..." è un libro principalmente "contemplativo", con diverse digressioni filosofico-letterarie, e non la storia avvincente che qualcuno si potrebbe aspettare. Anche il lungo finale, dove protagonisti sono i cambiamenti nella scena europea prossima all'arrivo del nazifascismo, riporta all'opera di Pessoa e a quanto l'autore, scomparendo quattro anni prima dello scoppio della guerra, ha lasciato con le sue opere letterarie. Saramago purtroppo non riesce a sostenere tutto il peso di un omaggio del genere: alcune immagini in questo libro rimangono vivamente impresse nel lettore, ma non è stato facile, almeno per me, leggerlo tutto di seguito, proprio per la pesantezza di alcune parti e per una trama che sembra spesso immobile, incapace di evolversi insieme al personaggio. Sono tre stelle e mezza, ma potrebbero diventare quattro a una lettura più coscienziosa.

  • Sandra
    2019-04-22 12:14

    E’ il 30 dicembre 1935. A Lisbona, proveniente dal Brasile, sbarca un medico e poeta, Ricardo Reis, che manca dal Portogallo da 16 anni, un uomo in realtà mai esistito se non nella fantasia di Fernando Pessoa, morto il 30 novembre1935. Reis e Pessoa: un personaggio finto, uno scrittore inventato da un altro scrittore, morto da un mese. Ecco due dei protagonisti del romanzo di Saramago, due fantasmi, uno è un fantasma della mente dell’altro, che è un fantasma vero. Niente altro che finzioni, spettri che meditano su quanto di più umano vi sia, la vita, la morte, la guerra. Ed è proprio il continuo intreccio tra fantasia e realtà il motivo dominante del romanzo: Pessoa e Reis si incontrano, passeggiano, dissertano nelle strade di una Lisbona anch’essa magica, malinconica e piovosa, nelle cui piazze le fredde statue di marmo del massimo poeta portoghese, Luís Vaz de Camões, e dei personaggi dei suoi poemi acquistano umanità grazie ai piccioni che vi si posano, agli anziani che si siedono ai loro piedi, al fiume Tago sul quale si specchiano. Ma nelle acque del fiume si riflettono anche le navi da guerra pronte a salpare: è l’anno 1936, un anno in cui in Europa soffiano terribili venti di guerra, stanno nascendo i primi movimenti militari tedeschi alla conquista delle nazioni vicine, Mussolini sta portando avanti l’invasione dell’ Etiopia, in Spagna scoppia la guerra civile a seguito dell’insurrezione dell’esercito contro il governo guidata dal generale Franco, in Portogallo Salazar si muove sulle posizioni dei governi di destra europei, sostenendo apertamente il nazismo e il fascismo. Queste notizie vengono recepite dal lettore attraverso i giornali che Reis quotidianamente consulta, trattasi di notizie miste con propaganda di regime e pubblicità menzognere, sulle quali si fonda il potere del dittatore Salazar.Il 1936 è anche l’anno, come dice il titolo del libro, della morte di Ricardo Reis: la morte di un fantasma creato dalla mente di un altro fantasma non può essere frutto del destino, è una scelta deliberata. Muoiono la libertà e la pace in Europa, muore la libertà nell’amata patria portoghese. Ancora una volta finzione e realtà, storia e fantasia sono indissolubilmente intrecciate.Scrivendo questo commento ho riflettuto sulla bellezza delle pagine lette ed ho cambiato idea, quattro stelle sono poche per il più bel romanzo di Saramago che ho letto finora.

  • Stephen Durrant
    2019-05-14 17:36

    Saramago novels are always worth reading, but this one perhaps less so than works like "Seeing" and "Blindness." The premise is an interesting one. Fernando Pessoa, the great Portuguese poet, has just died. Shortly thereafter, one of the fictitious persons under whose name he wrote poetry, Richard Reis, returns to Lisbon from Brazil where he has lived for sixteen years. He meets Pessoa, now a sort of revenant, who tells him that the dead have nine months to return from the grave from time to time before ultimately perishing--a sort of balance to the nine months we spend in our mother's womb. The reader will no doubt surmise soon after beginning the novel that Reis, who is really just a creation of Pessoa, will also perish with his master (no spoiler alert for such an easily guessed outcome that is, moreover,announced in the title). The novel follows Reis' life, loves, and encounters with Pessoa during this brief period of time. All of this is set against the backdrop of the first months of 1936, when fascism is on the rise in Portugal and throughout Europe, political events that will eventually entangle Reis. It is a complex novel in which Saramago is juggling so many themes and issues, that I think he difficulty deciding how to keep them all in play. I found the ultimate outcome of the political theme, for example, somewhat unsatisfying, although other readers may strongly disagree. Also, Saramago's unique narrative style, which is so startling and appealing for a few novels, begins to get a bit tedious and even predictable. Saramago is a very important novelist who deserved the Nobel Prize he won in 1998, but I need a long vacation from his novels so I can rediscover the sense of freshness and excitement I once felt in his writing. Finally, I should add, that I read much of this novel while in Lisbon, the perfect setting in which to enjoy both Saramago and the great poet Pessoa. I was inclined to give this novel three stars, but the reverberations between the novel and Lisbon itself earned it, for this reader, the fourth star!

  • Jonathan
    2019-05-16 11:33

    A strange, dreamy book that is as much about how life fades into death as early 20th Century Portuguese history. Saramago's voice dominates every page of the work to the extent that it seems to be a monologue about a fictional figure and not a novel in the traditional sense. Reis, the main character -- other than the narrator -- was a pseudonym used by the poet Fernando Pessoa, and here Saramago imagines his return to Portugal on the occasion of his creator's death after 16 years in Brazil. It was a turbulent time of Marxist revolts and the rise of fascism in Europe, and Reis' support of monarchy and strict social classes is shaken by Franco's bloody rise to power neighboring in Spain and an awkward affair with a hotel chambermaid. Suffused first with rain and then with oppressive heat, the book seems blurred, dropping into the forgetfulness of death that dominates Reis' conversations with a ghostly Pessoa.While honestly a beautiful book, it is not an easy read, expecting a certain knowledge of Lusitanian history and literature from the audience. Saramago revels in minutiae and the events, weather, and even newspaper ads described in the book were meticulously researched from primary sources -- rich as a representation of period culture, the details can sometimes overwhelm. In addition, dense, confusing sentences and paragraphs that can extend for a half-dozen pages or more are only made more trying by a poor translation that does neither the English nor the Portuguese justice. New translations of all of Saramago's books are in order given his status as a Nobel Prize winner. It is one of those novels where one expects to be rewarded after the brute force required of the reader. I'm not entirely sure the payoff is worth it for most of the audience, but for a few it could be a profound book.

  • Elizabeth Adams
    2019-04-24 13:21

    The Choices of Ricardo ReisA LETTER TO WAH-MING CHANG Marcenda placed her right hand over her left. Both were cold, yet between the two was the difference between the quick and the dead, between what can still be salvaged and what is forever lost.Dear Wah-Ming --This letter, full of still-incomplete thoughts, comes to you because it was you who suggested Saramago's "The Year of the Death of Ricardo Reis" to me, and you I've thought of often as I read the book. Perhaps that seems strange, because we've never met and hardly know each other, although I read your excellent essay on Saramago just after his own death at 87 earlier this year; perhaps he feels now like our mutual friend.The real reason is clear to me, though. If every reading of every book is unique, as I believe, then as I read this remarkable novel I kept wondering about your reading of it, because mine felt so particular, and so dependent on reading it at the age that I am, preoccupied with certain thoughts because of that age. You are, I think, in your thirties, while I am hurtling toward sixty. And while we both, as writers and readers, read this book -- I am quite sure -- breathless through Saramago's astounding sentences, wide-eyed at his minute but razor-sharp observations of place and personality, slack-jawed at his masterful construction of plot and narrative, and awed, in the aftermath, by the multiple layers of meaning that emerge -- I felt Ricardo Reis' cold hand on my shoulder as if I were a third party in the room, along with his visitor, the ghost of poet Fernando Pessoa, and I cannot imagine that you would have felt this; not yet.----My one quibble with the plot, actually, is that Saramago has his protagonist, the doctor and poet Ricardo Reis, come back to Portugal from Brazil at the age of 48, and ascribes feelings to him that I find more credible in a person ten years older - the age I am now. Of course, he had no choice: Reis' age had to be 48 because the book follows him for a year after the death of Pessoa, at 47; Pessoa, the inventor of 70-some heteronymns with distinct voices and personalities, of which one of the three main ones -- a melancholy flaneur and believer in fate rather than the possibility of happiness or choice -- was "Ricardo Reis." And so, because this is a magic realist novel, we have the living "Ricardo" returning to his native country after many years of self-imposed exile precisely because his author, Pessoa, has died, and Pessoa himself appearing, out of the graveyard with his pale face and impeccable black suit, to speak with Reis in the streets of Lisbon that Reis wanders, and in the hotel room where Reis conducts his affair with a chambermaid and longs, without real hope or decisive action, for the unreachable Marcenda, with her paralyzed hand.As I said, there are many ways this novel could be read, but for me, it is a book about the fatigue that comes at late middle age. I'm not talking about being jaded, because unless one has really been spoiled or profligate, one learns that there is always beauty to be seen and something new to be experienced. It's a fatigue that happens when one is old enough to look back and see that much of life is past, that death has become a companion, and that what looms ahead is a choice requiring, on the one hand, great force of will: to continue to engage, to create, to live as fully as possible, or to slow down or even give up, resigning oneself to waiting passively for the inevitable. I see this now in friends facing retirement, whose children are gone and on their own, weary in both body and spirit, convinced their best work and best years are behind them. And though I never anticipated finding it in myself -- because as an artist, writer, and thinker I have no intention of "retiring, " ever -- there are times when I am so exhausted by the world, by a worn body and mind that have seen and felt too much, and by reminders of death, an increasingly frequent visitor, that this choice becomes much more obvious and imperative.Saramago himself didn't achieve literary recognition until he was sixty, and wrote "Ricardo Reis" when he was 64; these ideas must have been very real to him or he couldn't have embodied them so convincingly in his characters: Reis, the doctor who refuses to heal; Marcenda whose hand "like a lifeless bird that she stroked in her lap" ceased to function after the death of her mother; the sleazy informer Victor, always announced by his leitmotif of onion breath; Lydia the chambermaid and her anarchist brother - the most vibrant characters in the book - who choose very different ways of seizing life with both hands. Saramago asks: what motivates action and what creates paralysis? What constitutes a miracle? What is a valuable life? What is the role of hope and how far are we willing to go to find it?So there is this possibility: a very personal reading. The story, like many other 20th century novels with a political setting, can also be read as a commentary on detached intellectualism. Or it can be read both as an account and an allegory about the choices faced by nations - by Portugal and Spain, sliding into Facism - or, by extension, perhaps even by nations in our own time. It would seem that this was at least part of the author's intention: in his Nobel lecture, Saramago remembered himself as an "apprentice" of 17, discovering the poems of "Ricardo Reis", and not realizing for a long while that this poet was actually Fernando Pessoa. He memorized many of Reis' "Odes," including the unforgettable and - is it deliberately provocative? - line "Wise is he who is satisfied with the spectacle of the world". Later, much later, the apprentice, already with grey hairs and a little wiser in his own wisdom, dared to write a novel to show this poet of the Odes something about the spectacle of the world of 1936, where he had placed him to live out his last few days: the occupation of the Rhineland by the Nazi army, Franco's war against the Spanish Republic, the creation by Salazar of the Portuguese Fascist militias. It was his way of telling him: "Here is the spectacle of the world, my poet of serene bitterness and elegant scepticism. Enjoy, behold, since to be sitting is your wisdom..."So here he was, well over sixty in 1988, turning his clear sad eyes at a world that had learned nothing since 1936. And what does he choose to do? In the very next paragraph of his Nobel lecture he tells us, The Year of the Death of Ricardo Reis ended with the melancholy words: "Here, where the sea has ended and land awaits." So there would be no more discoveries by Portugal, fated to one infinite wait for futures not even imaginable; only the usual fado, the same old saudade and little more... Then the apprentice imagined that there still might be a way of sending the ships back to the water, for instance, by moving the land and setting that out to sea.And that became his next book, The Stone Raft.Wah-Ming, I hope you will tell me what the novel meant to you. I'm grateful to you and to Saramago that this book came along - as books sometimes do - at this precise point in my life, when I'm deliberately looking both backward and forward, considering the future and how much I may have a role in shaping it. One needs to see the alternative before, perhaps, believing that stone rafts can float.*Adamastor is a mythological character invented by the Portuguese poet Luís de Camões. In an epic poem, he appeared in a threatening thundercloud to the explorer Vasco de Gama, who dared to pass the Cape and enter the Indian Ocean, which was Adamastor's realm. A statue of Adamastor stands over Lisbon's harbor, and is frequently mentioned as if he were a real person in the book.

  • Vit Babenco
    2019-05-12 11:25

    “Films, like poetry, are the art of illusion, by adjusting a mirror you can transform a bog into the ocean.”This simple comparison really bares the soul of poetry – just shift a little bit a vantage point and the whole world will be seen in a new marvellous light. “A poet does not ask that his muses speak, only that they exist, Neaera, Lydia, Chloe.”The Year of the Death of Ricardo Reis is much more than just a tribute to a great poet – it is a resurrection of one poet in the mind of the other.“In a changing, uncertain confluence, as the river is formed by its waves, so contemplate your days, and if you see yourself pass as another, be silent.”

  • Domenico Fina
    2019-05-09 13:14

    Il libro di Saramago che ho più amato. Quello in cui la sua propensione alla parabola o alla chiave paradossale (distopica) lascia spazio e si scioglie alla vita, seguita con minuzia, passo passo.

  • hope mohammed
    2019-05-10 15:12

    الروائي الممتاز هو الذي ينجح برأيي بجعل ابطاله جزءا من حياة قارئيه جزءا من روتينه من قهوته من افكاره ، و دخيلا الى احلامه ، نجح ريكاردو ريس الشخصية الوهمية لدى فريناندو الشاعر البرتغالي ان يكون حياة بذاتها منفصلا عن ذاتيته الوجودية الخيالية في الشعر البرتغالي أن يكون جزءا على ارض واقع الكتابة ونجح في ان يكون شخصية متفردة في العالم الروائي البرتغالي ايضا على يد عزيزي خوسيه ، القصة ببساطة طبيب غاب عن وطنه ستة عشر عام في البرازيل ليعود اليه بعد موت شاعر الوطن فرناندو بيسوا والذي يزور قبره قبل أن يبدأ الاخير في زيارة متكررة له ، هذا الطبيب المتوحد والشاعر فيما يبدو كما لا يمكن ان يكون هذا الخبر مصادفة ، يبدأ روتينه ويحاول أن يتخذ له رفيقة فيحب ليندا اسم فتاة اشعاره والتي تكون اقل من مستواه لانها خادمة والمشاعر التي يكنها لها جسدية محضة وبالمصادفة يقع في حب فتاة نزيلة في نفس الفندق وزائرة دائمة له والتي تبادله العاطفة وبعض القبلات فقط .. الذي حقا لا يعرف الشاعر بيسوا قد لايفهم رمزية ريكاردو ريس والقاريء العابر ،وضع له المترجم أنطوان حمصي مدخلا سيغهم منه في المقدمة وان كنت افضل ان يمر على كتاباته اولا لكي يشعر ولكي يتعمق ..الفصل في الكتاب ان العنوان يذكر موت شخصية البطل فاذا انا اقرا حياته في السنة التي يعود اليها الى بلده حياته، مشاعره ،روتينه ومقابلاته مع فرناندو بيسوا الميت سلفا والتي جعلت بعض تصرفاته الرصينة أمام الغير تبدو احيانا غريبة كأن يطلب كوبا من القهوة يشرب التالي بعدما يبرد ، كانه يطلبها لقرينه بيسوا ، الوحدة الوحدة في الرواية لرجل كبير في السن مؤلمة وعميقة قد تتضح اكثر عمقا في هذا الاقتباس لاني فاشلة في وصفها " بعد عمر معين لايبقى للمرء كل عقله والقدمان لاتعودان تعرفان ، اين تحملنا نحن دون دفاع كالأطفال الصغار ولكن أمنا قد ماتت والرجوع اليها الى المنشأ الى هذا العدم الذي كان يسبق المنشا مستحيل * رواية رائعة تؤرخ للوحدة وللشعر متمثلة في فرناندو والى لحظات تاريخية ايام الثورات الاسبانية و ابتداء هتلر لاكتساح اوروبا .. رواية التذت بها ايام جميلة ..ساراماغو ♡

  • Yehia Nasser
    2019-05-10 16:21

    ساراماجو هنا قاسى جدااا منح الابطال كل شىء وخد منهم كل شىء الرواية فيها كل معانى قسوة الحياة الحب والامل والعبثية الحرب والتردد ادتها اربع نجوم لكثرة الجزء السياسى فى اخرها اللى افقدها رونقها فى نظرى

  • David
    2019-04-25 13:16

    I've said it before, I am wholly biased in favor of Saramago's writing and style, and will likely enjoy anything he writes. I loved the prose, the existentialist despair, the story of revolution and the spectre of fascism rising in Europe during the time of Franco and his contemporaries, and the book was eminently quotable. I have to admit that I was at a significant disadvantage not being familiar with Fernando Pessoa or his (many) heteronyms, of which Ricardo Reis was one. I feel like if I had a better grasp of his (apparently largely unpublished/untranslated) writings, as well as the lead up to 1920-40s history of the Iberian peninsula, I would have enjoyed a much deeper understanding of this work. However, I will most certainly attempt to secure a book of Fernando Pessoa's poetry for reading in the future, from what I read about him he sounded like a fascinating man, and I enjoyed his poetry interspersed throughout the novel.

  • James
    2019-05-02 16:31

    I feel awful saying this, but this book is a pretty dull read. I feel like this admission will require me to hand back my Portuguese passport and sever all ties with certain family members.Ricardo Reis comes back to Lisbon after 16 years in Brazil and proceeds to have a desultory wander through Lisbon and the lives of two women. Usually in the rain. I appreciate the socio political commentary, if not satire, of a pathetic crypto fascist state agog with the spectacle of the Spanish civil war, I truly loved how the magic of Lisbon is brought to life, and I even appreciated the beautiful monotony of some of the language. In the final reckoning I could not subsume my will into the passive zen like trance the author seemed to expect me to lie in. The pages were counted, a duty was fulfilled but sadly little pleasure was had.I do feel terribly guilty.

  • صلاح القرشي
    2019-05-12 14:18

    هذه الرواية من وجهة نظري أكثر أعمال سارماغو صعوبة ربما لأنها تتناول شخصية ريكاردو ريس وهو أحد الشخصيات التي صنعها شاعر البرتغال الكبير فرننادو بيسواوجعلها تبدو كشخصية أدبية حقيقية قرأت هذه الرواية قبل قراءة بيسوا وقرأتها بعد أن تعرفت على ذلك الشاعر الكبير اعتقد أنني فهمتها وأحببتها في المرة الثانية بشكل أكبر.