Read O Ano da Dançarina by Carla M. Soares Online

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No ano de 1918, o jovem médico tenente Nicolau Lopes Moreira regressa da Frente francesa, ferido e traumatizado, para o seio de uma família burguesa de posses e para um país marcado pelo esforço de guerra, pela eleição de Sidónio Pais e pela pobreza e agitação social e política. No regresso, Nicolau vê-se confrontado com uma antiga relação com Rosalinda, dançarina e amanteNo ano de 1918, o jovem médico tenente Nicolau Lopes Moreira regressa da Frente francesa, ferido e traumatizado, para o seio de uma família burguesa de posses e para um país marcado pelo esforço de guerra, pela eleição de Sidónio Pais e pela pobreza e agitação social e política. No regresso, Nicolau vê-se confrontado com uma antiga relação com Rosalinda, dançarina e amante de senhores endinheirados, e com as peculiaridades de uma família progressista. Enquanto a Guerra se precipita para o fim e, em Lisboa, se vive a aflição da epidemia e da difícil situação política, a família experimenta o medo e perda, e Nicolau conhece um amor inesperado enquanto trava as suas próprias batalhas contra a doença e os próprios fantasmas. Este é um romance de grande fôlego, histórico, empolgante e profundo, sobre a superação pessoal e uma saga familiar num tempo de grande mudança e turbulência em Portugal....

Title : O Ano da Dançarina
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ISBN : 9789897543029
Format Type : Paperback
Number of Pages : 392 Pages
Status : Available For Download
Last checked : 21 Minutes ago!

O Ano da Dançarina Reviews

  • Carla Soares
    2019-02-12 13:33

    Não sou capaz de dar uma classificação a um livro meu. Jamais o faria, não me parece correcto.Sou capaz, porém, de dizer que tem falhas e virtudes como todos os livros, e que, como tal, agradará a uns e não a outros, alguns leitores vão adorá-lo (espero), outros, possivelmente, detestá-lo.Posso dizer também que o reli com muito mais prazer do que esperava, eu, que não releio os meus livros porque me deparo sempre com frases que já não escreveria e coisas que diria de outra forma. Suponho que será assim com a maioria dos escritores, porque uma obra nunca está pronta… Diz o Záfon, se não me engano, que somos nós, temos de ser nós que a abandonamos, ou nunca terá um fim. Sucedeu-me aqui, claro, mas menos do que imaginava.Reli-o, pois, com prazer, e senti-me transportada para onde desejava que o livro transportasse os leitores, para o difícil ano de 1918 em Lisboa. Continuei presa às personagens, a Nicolau, tão frágil no início, a César, à valente Bernarda, a Eunice e aos irmãos mais novos, a Cecília e ao avô Cupertino, e também a Raul, D. Carolina, até a Hermengarda e Nuno, como desejo que aconteça aos leitores. Acompanhei as graças e desgraças que lhes sucedem quase como se não as conhecesse (quase). Fiquei contente com a narração dos episódios – a maior parte reais – da História desse ano, e com as peripécias que criei para os Moreira Lopes, em redor deles. Gostaria, como é natural, de ter tido o espaço para desenvolver todas as histórias – de permitir que Raoul e Eunice tivessem mais espaço, de acompanhar Bernarda no final da narrativa, ou Carolina, Hermano, Cupertino, Pedro, Mina, mas é Nicolau a minha personagem central e, se aprendi alguma coisa com a edição dos meus livros é que é preciso “kill some darlings”, i.e. cortar alguns segmentos de que gostamos e não estender outros como desejariamos fazer.Para quem vai lê-lo, desejo que se sinta, pois, em pleno ano de 1918 em Lisboa, e que sofra e se alegre com os Lopes Moreira e com as gentes da cidade, como eu me alegrei e sofri (bastante) durante a escrita e durante esta leitura.

  • Calypso
    2019-02-16 10:29

    "O Ano da Dançarina" foi a minha estreia com a autora Carla M. Soares. Se já tinha ouvido falar bem da escrita da autora esta leitura só serviu para o comprovar por mim mesma. Foi sem dúvida um prazer.Quanto ao livro, confesso que não sou fã de romance histórico, mas gostei da história da família Lopes Moreira, em especial dos primeiros capítulos quando tínhamos alguma visão através de Nicolau dos tempos de guerra. Com o avançar da narrativa, Nicolau deixou de ter essas memórias e confesso que senti alguma falta disso, mas compreendo que era necessário que estas fossem desaparecendo para que o leitor soubesse que a personagem ultrapassava os traumas.Além de Nicolau temos um rol de outras personagens quase todas ligadas à sua família das quais destaco Bernarda, uma mulher forte e de carácter destemido e César, que inicialmente, ganhou grande destaque no enredo. Tendo uma personalidade mais viva do que o irmão Nicolau foi sem dúvida uma mais valia para a história. Admito que fui totalmente apanhada de surpresa pelo desfecho que a autora escolheu para César. Outra personagem com bastante relevo é Rosalina que se vê caída em desgraça por uma decisão que tomou no passado e que atormenta Nicolau e os Lopes Moreira numa tentativa inútil de recuperar o que ela mesma jogou fora. Foi, para mim, uma das personagens mais marcantes e mais uma vez não esperava o desfecho que a autora escolheu para ela. Foi sem dúvida uma leitura que gostei, um livro capaz de nos cativar e que nos dá uma visão muito completa da vida no ano de 1918. Contudo, não foi um livro que me conseguisse emocionar e arrebatar talvez por retratar uma realidade. Recomendo a todos os que gostarem de um bom romance histórico, não se irão arrepender.

  • Célia Loureiro
    2019-01-25 09:58

    “O Ano da Dançarina” é o terceiro livro que leio da Carla M. Soares (imperdoável nunca ter lido o A Chama ao Vento), e reafirma uma vez mais a minha teoria de que se cresce a cada livro.Neste romance encontrei um retrato fiel de época, um enredo equilibrado, um livro polido, uma história cativante. Conforme o título sugere, acompanhamos um ano específico na história do nosso país – 1918 – com todas as tropelias que o pautaram. Para contextualizar a época: em 1918 celebrava-se o primeiro ano após as Aparições de Fátima. Não havia santuário, não havia reconhecimento do Vaticano, não havia capelinha, e os três pastorinhos ainda estavam vivos e no pastoreio. Nesse ano deu-se um golpe de estado e Sidónio Pais torna-se presidente da recente República Portuguesa, enquanto a nobreza se retorcia ainda de desencanto para com a perda dos títulos nobiliárquicos, os republicanos andam de candeias às avessas e os políticos atropelam-se pelo controlo do futuro da nação. A somar a isto (já de si bastante, contabilizando os ataques dos anarquistas ao parlamento), o Corpo Expedicionário Português perdia a vida em vão nas trincheiras francesas, e ainda surge uma doença indecifrável, um vírus desconhecido que se pensa, hoje, ser uma variante do H1N1, uma mistura de gripe das aves e gripe suína, que se estima que tenha dizimado algo como, pelo menos, 50 milhões de vidas humanas entre os anos de 1918 e 1920 (a Segunda Guerra terá resultado em 70 milhões de mortos, e foi o momento mais negro da História da humanidade, pelo que a gripe foi quase, se não tão, letal quanto isso). O palco do romance é a residência dos Lopes Moreira, uma família burguesa de cinco irmãos sob a alçada dócil da mãe, viúva, num mundo em constante mudança. Nicolau, Bernarda, César, Eunice, Pedro e Guilhermina vivem um ano inesquecível pelos piores e pelos melhores motivos. É sobretudo a partir das vivências de Nicolau, médico-tenente, que atravessamos esse ano. Nicolau e os traumas de guerra. Nicolau e a impotência perante a epidemia. Nicolau e o papel das mulheres, a vida noturna, as doenças, a imundície de um povo sem meios e analfabeto. Gostei muito dessa personagem, bem como do seu irmão, César, que reúne uma energia muito jovem e positiva, e que foi a minha personagem favorita. Também gostei de ver os sobressaltos de uma sociedade misógina e patriarcal, que olha com estranheza o desejo de emancipação do género feminino, e que se alimenta de intrigas e jogos políticos. Houve partes em que se exaltava a pátria – um pouco do nosso Portugal foi forjado nessa época -, e em que me senti arrepiada, porque o retrato era tão nítido que imaginava a silhueta austera do republicano elegante, de bengala, de barbas aprumadas, de chapéu, a consagrar a sua vida e a sua liberdade ao ideal que tinha para Portugal. Diria até que se tece uma exaltação à República, quiçá involuntária, porque mostra os solavancos a que muitos foram submetidos para que outros pudessem gozar de valores maiores – o sufrágio, o direito à greve, à liberdade de imprensa e de expressão. E a espanhola, ou pneumónica, ou influenza, ou …, um horror que se infiltrou tanto em casas de ricos como de pobres, de sidonistas e seus opositores, tão familiar que lhe deram vários nomes, e que ceifou tantas vidas em três fôlegos, dois dos quais arrasadores e vividos nesse ano de 1918... É um retrato macabro da doença, da desinformação, da impotência do ser humano mais esclarecido perante as limitações do seu tempo e do chamado progresso. O Homem vergado à natureza e suas impiedades.Louvo a meticulosidade da pesquisa, do trabalho realizado com equilíbrio e método, e do racionalismo que, apesar da época conturbada, conduz todas as páginas. Também existem passagens de evidente emotividade, que servem para recordar que os carácteres se moldam nos momentos de maiores dificuldades, ainda que a esperança oscile a cada reviravolta dos elementos.Um livro que recomendo pelo excelente cuidado com a época, um ano até agora um tanto ignorado no panorama literário (à exceção do Mataram o Sidónio!, do Moita Flores, que, pela sinopse, se assume mais político do que social). Adoro leituras que me obrigam a pausas para fazer pesquisas no google, e que me deixam com o travo agridoce do muito que aprendi e do mais que ainda tenho de aprender a respeito de um assunto que me parece agora do maior interesse. Um livro que apelou à nacionalista que há em mim, e que apenas não me arrancou aquela quinta estrela porque, como romântica incurável, ansiava por um "Romeu e Julieta" num livro onde a Pátria, ferida, é o motivo de todos os sacrifícios.

  • Cláudia P.
    2019-02-15 11:38

    4,5. Apesar de ter gostado de vários livros da autora, este foi de facto o que me encheu as medidas e ao qual me rendi. E nem me refiro já ao estilo de narrativa, sempre cuidado e um pouco lírico, com muito embalo e mestria na composição de uma história. Rendi-me porque tenho um fraco por histórias familiares, porque me apaixonei por todas as personagens cuja comparência me soube sempre a pouco na impossibilidade de as desnudar a todas numa história centrada essencialmente num único irmão, porque Lisboa se viveu e respirou nestas páginas e ainda hoje, tantos meses depois de ler um dos primeiros esboços, vários momentos me ecoam na mente quando passo pelos ditos locais. Preencheu-me e deixou-me um pouco vazia também, já com saudades, e um dos que irei estimar e reler de tempos a tempos. a opinião completa sairá em breve no blogue.

  • Márcia Balsas
    2019-02-04 17:36

    De todos os livros da Carla M. Soares (e eu li todos os que estão publicados) este é, sem dúvida, o meu preferido. Há livros assim, que mandam na minha vontade logo na primeira página, que não me saem da cabeça durante as horas que estamos afastados, que me deixam com saudades de voltar à leitura, de me envolver mais e mais na história e nas personagens.O Ano da Dançarina é um romance delicioso que se lê com ritmo e alguma compulsão. A escrita da autora continua fluída e cuidada, tendo adquirido bastante segurança que se nota em alguns trechos mais destemidos. Nota-se que a pesquisa histórica foi intensa, mas nunca senti que a informação foi colocada “à martelada” (e é muita informação), mas antes perfeitamente doseada na trama com a ajuda de personagens bem estruturadas.Quem dera só ler livros assim, com gosto e vontade de galopar pelos parágrafos. E ficar triste por chegar à última página.Gostei dos detalhes, das descrições das ruas na Lisboa de 1918, dos locais, do vestuário, do enquadramento social e político, de ver surgir em cada personagem uma personalidade influenciada pelo meio, de conhecer os Lopes Moreira, no seu estatuto privilegiado, contudo terra-a-terra, de sentir as dores da guerra em quem nela participou, bem como as ramificações da perda em quem está próximo. Gostei de ler a dor de quem é arrasado por uma epidemia, bem como pelos que assistem com o sofrimento da impotência. Chegaram até mim as amizades, as inimizades, a fúria, a paixão, o amor. Poucos são os livros que convidam o leitor a uma tão intensa possibilidade de construir, de imaginar e sonhar e, sou honesta, gostava que todas as minhas leituras fossem assim, tão amplas e satisfatórias.Gostei muito e convido-vos a descobrir a Dançarina, que não é exactamente o que parecehttp://planetamarcia.blogs.sapo.pt/o-...

  • Benedita Santos
    2019-02-05 10:29

    Maravilhoso! Adorei! Ainda estou a digerir... Opinião em breve.Este é o 3º livro que leio da Carla M. Soares, e sem dúvidas, o meu preferido! Para quem é fã de romances históricos como eu, RECOMENDO a leitura deste livro, pois é simplesmente maravilhoso! Excelente a escrita e a forma cuidada como todos os pormenores históricos (que revelam extensa investigação) foram sendo introduzidos ao longo da narrativa, de uma forma que não cansa o leitor… Todas as descrições da Lisboa de 1918, os locais, o vestuário, as personagens e todo o contexto social e político, de guerra e epidemia, levam à leitura compulsiva deste livro! Adorei conhecer a família Lopes Moreira e constatar a sua união, nos bons e maus momentos… A autora conseguiu criar personagens fortes e muito bem estruturadas! Gente de princípios e valores! Um livro emocionante e escrito com muita Alma! Muito obrigada Carla M. Soares!

  • Maria
    2019-01-22 16:43

    Depois de uma grande desgosto de amor, Nicolau Lopes Moreira decide alistar-se para a Grande Guerra, correndo o risco de morrer. Após ficar ferido, Nico regressa em 1918 da Frente Francesa, mas com o coração ainda partido. Convalescente, em casa, decide ler na biblioteca, a dezena de cartas que lhe mandam para saber da sua convalescença. Entre elas está a de Rosalina, jovem dançarina do Tetaro Almeida Garrett que o abandonou para seguir o sonho de dançar na Ópera de Paris. Já na capital portuguesa, Nicolau revela uma transformação drástica. Apesar de ainda gostar da jovem bailarina está conformado com o facto de que ela não é para si, e decide viver a sua vida longe de uma mulher que lhe quis tanto mal. "O Ano da Dançarina" é o primeiro livro que leio de Carla M. Soares e deixou-me completamente vidrada na história. Sou fã assumida de romances históricos, e a temática da Primeira e Segunda Guerra Mundial é das que mais me atrai. Saber que se passará um pouco na frente francesa, passando posteriormente para Portugal onde parte da história se passa na narração dos milhares de mortos provocados pela gripe espanhola, como vulgarmente é chamada, deixou-me entusiasmada. A autora escreve muito bem e elaborou uma história bastante interessante em torno da família Lopes Moreira. Desde o louco Nicolau, que parte para a guerra, para fugir ao seu coração, a César, um bon-vivant, mas um irmão dedicado, a Bernarda, uma rapariga avançada para o seu tempo, tendo recebido por parte da mãe a mesma educação que foi dada aos seus irmãos. Bernarda sabe, inclusive, conduzir e é directora de uma revista. Bernarda, a par de Cecília, foram as personagens que mais gostei, talvez pela veia jornalista que ainda há em mim. Muito, muito bom. Leiam. opinião completa: http://marcadordelivros.blogspot.pt/2...

  • Poli
    2019-01-17 14:48

    Há já algum tempo que aquardava com ansiedade um novo livro de Carla M. Soares, cuja escrita já comparei á de Julio Dinis em conversa com a minha melhor amiga.Confesso que Nicolau chegou a exasperar-me com a sua falta de orgulho e a certa altura até sorri com a tirada dos seus pensament0s, ...Salva-te a ti próprio, triste exemplo de homem!..., pois estava precisamente a pensar o mesmo na ocasião. Por este motivo César ocupou durante largo tempo o topo da minha preferencia. Todavia com a continuação da leitura Nicolau acaba por se destacar. A bem da verdade quase todas as personagens do livro acabam por nos cativar de uma maneira ou de outra, e no final até a dançarina nos dá pena.A propósito, excelente título!Existem poucos autores portugueses atuais cuja escrita goste tanto como a da Carla Soares, simplesmente porque a autora me transporta para dentro da história. Eu vejo, ouço, e cheiro o ar de Lisboa do principio do século XX nas suas descrições. Sorrio e sofro com as suas personagens e, se não lhe atribuo ainda cinco estrelas é porque espero sempre mais. Quem me dera que a história de Eunice e Raoul não se tivesse desenrolado às pressas, mas fosse acontecendo de forma compassada. Talvez para o próximo romance...Encontro contudo pormenores deliciosos como por exemplo a ligação de personagens a outro livro da autora, ou o documento de 1918 que abre o livro e que achei uma forma brilhante de nos introduzir ao terror que se espalhava na psique coletiva.

  • Ana
    2019-01-29 10:51

    Quando comecei a ler este livro, pensei: oh não, outro livro que vai ser um manual de História! Por muito que goste de História, faz-me impressão aqueles livros que se dizem romances mas no final não passam de compêndios. Contudo, ao fim de uns capítulos, percebi que estava redondamente enganada. A ação do livro desenvolve-se inteligentemente ilustrada por factos históricos que não aborrecem, antes enriquecem o leitor. Há descrições muito realistas que nos transportam para aquele ano e emoções (ah, o César) que nos fazem derramar uma lágrima. Em suma, é um bom livro, com uma escrita cuidada embora despretensiosa, intercalada por diálogos muito bem conseguidos. Recomendo vivamente a sua leitura! Quanto à autora, Carla, os meus sinceros parabéns! 😀

  • Margarida
    2019-01-26 10:52

    Adorei!! como sempre, adorei este romance, adoro todos os livros da Carla. acho que têm vindo a ser cada vez melhores. adorei a história, aprendi muito com os factos históricos que foram introduzidos levemente, senti-me por momentos naquelas trincheiras lamacentas...as personagens foram todas boas, consisitentes. fiquei triste com o destino de uma delas, mas a vida é assim mesmo.Como sempre, recomendo este livro a todos, a escrita é fácil mas cuidada, e adorei o facto da Carla não ter aceite a grafia do novo acordo ortográfico :DParabéns, Carla

  • O Dia da Liberdade Silvia Reis
    2019-02-08 09:37

    Nicolau e os irmãos personificam uma época que já não existe, apesar de a política continuar a ser motivo de descrença.Lisboa, cidade rainha desta obra, não é igual à de hoje. É uma aldeia grande, ainda sem as preocupações sanitárias dos nossos dias e onde a própria medicina ainda está a anos-luz da nossa hoje me dia. Quase 100 anos nos separam da gripe espanhola e do contexto de guerra em que se desenvolve O Ano da Dançarina e nada parece o mesmo, à exceção de algumas críticas sociais.A gripe que tanto matou pela europa, a 1ª Guerra Mundial que não nos pertencia mas que levou os nossos para longe e para não mais voltarem, todo o contexto da instabilidade portuguesa pós-monarquia aliada à pobreza atávica de um Portugal a precisar de se desenvolver mas sem espaço para o fazer devido à instabilidade e à massa política governante da altura enriquecem o livro. Mas não só!A família Lopes Moreira é uma família abastada e liberal que se movimenta em círculos interessantes e Nicolau, a figura central, é um bom rapaz, o homem imperfeitamente perfeito. No entanto, as suas irmãs são bons exemplos de mulheres fortes e “fora da caixa”, como não poderia deixar de ser tendo em conta a mãe que têm, que é uma personagem apaixonante. César será o mais conservador por um lado e bon-vivant por outro mas o amor que tem pela vida e pelos irmãos é inspirador mesmo que trágico. Aqui temos um naipe de personagens que vos tirará o sono como a mim.Recomendo a leitura atenta, em qualquer altura e em qualquer lugar. A escrita é excelente e a história flui sem ser forçado nenhum dos acontecimentos. Boas leituras!

  • Dina Batista
    2019-01-22 13:39

    Simplesmente apaixonante! O retrato desse Portugal do início do séc. XX, com a primeira guerra e a gripe espanhola a assolar o país é simplesmente maravilhoso. Apaixonei-me pela família Lopes Moreira e chorei as suas perdas, apaixonei-me por essa Lisboa de outra época com os seus tumultos sociais. A autora ligou muito bem os factos históricos com a ficção, fazendo-me procurar saber mais acerca da gripe espanhola no nosso país assim como o desassossego social daquela época. Para quem gosta de romances históricos, recomendo vivamente.

  • Wicahpis
    2019-02-09 12:44

    Este livro leva-nos ao ano de 1918. Ano do térmito da Iª Guerra Mundial, ano da gripe espanhola que muitos mortos causaram...

  • Evalunasylva
    2019-02-15 12:55

    4,5 *Adorei! Vou querer ler mais livros desta autora, sem dúvida!

  • FLAMES (Mariana Oliveira & Roberta Frontini)
    2019-02-02 16:54

    Opinião completa no blogue: http://flamesmr.blogspot.pt/2017/11/l...

  • Sofia Teixeira
    2019-02-11 17:38

    O primeiro livro de Carla M Soares saiu em 2012. Ainda me lembro da febre que trazia comigo naquela altura de querer conhecer novos autores portugueses e a Carla foi uma dessas promessas que se concretizou. Com este seu quarto romance, todas as dúvidas que ainda ousassem existir são obrigadas a dissiparem-se. Estamos perante uma escritora que cresce a cada obra, sendo que O Ano da Dançarina marca a entrada num novo patamar. À semelhança das obras anteriores o registo mantém-se dentro do romance histórico, mas apercebi-me, a certa altura, que quase parecia estar a ler outra autora. Não digo isto num sentido depreciativo, pelo contrário, acho que existe uma maturidade e um atrevimento que transmitem uma maior "segurança" ao leitor, no sentido de realmente sentirmos que estamos a ler uma grande escritora.É verdade que não sou a maior especialista em romances históricos e, dependendo muito do estilo de escrita, nem sempre tenho a devida paciência para a carga de informação que muitas vezes é despejada. Nisso, a Carla M Soares destacou-se. Acho que do que mais gostei neste O Ano da Dançarina foi precisamente a forma como senti que a cada página aprendia mais um pouco, enquanto me fixava na parte mais sensível - as vidas e personalidades das várias personagens que me iam sendo apresentadas. Isso e também o facto de ter duas personagens femininas fortíssimas. A Carla vai-me desculpar por referir isto novamente, mas lembro-me que o maior entrave à sua escrita naquele primeiro romance tinha sido a minha implicação com a sua protagonista. Desde então, de livro para livro, também os protagonistas têm ganho mais textura e mais fibra, aproximando-se assim muito mais do leitor. Há também que destacar o belo trabalho que a editora fez com a capa e que a autora fez com o título. O Ano da Dançarina é um título super inteligente e que tem muito mais a dizer do que o que possa parecer à primeira vista. Depois desta leitura, a família Lopes Moreira fica guardada nos nossos corações de forma muito especial. Gostei muito de Nicolau, sim, mas confesso que gostaria de ter sabido mais sobre César. Eu sei, eu e a minha queda para as estrelas cadentes! A Bernarda, a irmã, é das minhas. E que bom que haja romances que reafirmem a coragem das mulheres ao longo da história. Mesmo o foco tendo sido no regresso traumático da guerra de Nicolau, achei que a tipografia teve uma importância bastante elevada também. Cecília foi um misto de emoções. E acho que quando a encontrarem na história por vezes vão ter expectativas que nem sempre são cumpridas, mas que são compreendidas. E o seu avô! Mas que senhor mais adorável! Claro que há mais personagens das quais podia falar, mas deixo isso convosco. A narrativa está a um ritmo muito bom, a acção e a descrição estão muito bem equilibradas e os diálogos são dinâmicos e oportunos. Parabéns, Carla M Soares, aqui está uma obra digna de ser lida do princípio ao fim só com pausas para o indispensável.

  • Lidia Craveiro
    2019-02-17 14:58

    Este livro é a minha estreia na obra da autora e fiquei rendida. Uma escrita que nós portugueses entendemos ( com muitas expressões nossas), uma pesquisa exaustiva da época e sem pormenores desnecessários. Até o titulo que à partida não me disse muito, tem um significado muito curioso, o qual não vou revelar. Fiquei a saber tanta coisa dessa época da nossa história que desconhecia, ou que tinha ouvido apenas falar aos meus avós e tios avós. O meu avô paterno combateu em França, e a uma tia avó escapou à gripe espanhola, e o livro fez-me recordar essas pessoas já falecidas há muito, mas que também fizeram parte da história. Lerei outros livros da autora de futuro. Temos bons escritores em Portugal e Carla M. Soares, faz parte desse grupo com M grande. Parabéns Carla e continue a prendar-nos com obras desta qualidade.

  • Susana Serra
    2019-01-31 10:51

    Um 4,5 bem "redondinho". Não há nada como viver com as personagens por uns momentos, e foi um prazer "conhecer" aquela família, em especial o "Nicolau".Podem consultar a opinião completa em: https://paginasdeviagem.blogspot.pt/2... Boas leituras!

  • Sandra
    2019-01-22 16:45

    Review em breve...

  • Inês Montenegro
    2019-02-16 17:32

    "Mais uma vez, Carla Soares consegue entregar um romance que entretém ao mesmo tempo que contextualiza o leitor numa época história portuguesa: no caso, o ano em que a “espanhola” visitou um país já muito afectado pela guerra e pelas quezílias políticas. Como indicado na sinopse, Nicolau é o protagonista e a personagem que maioritariamente é apresentada no fio condutor do enredo. Não deixa, contudo, de ser um romance de família, sendo as venturas e desventuras do núcleo familiar – e daqueles que lhes são próximos – também de grande peso na narrativa e seu desenvolvimento. (...)"Opinião completa em: https://booktalesblog.wordpress.com/2...

  • Nuno Chaves
    2019-01-27 14:36

    De tudo o que li durante este ano que finda... a minhal habitual escolha de "O meu Livro do Ano" recai sobre "O Ano da Dançarina". de Carla M. Soares.recomendo sem reservas. o livro que mais prazer me deu durante 2017.