Read Gaibéus by Alves Redol Online

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"Gaibéus" é um clássico do neo-realismo português: descreve o drama de um rancho de ceifeiros que do Norte do País descem a participar na batalha sem fim travada na lezíria. Esta obra já foi vertida no sistema Braille. Publicações Europa-América sente-se honrada por reeditar uma obra de um dos maiores escritores contemporâneos, que sempre soube defender os humilhados, ofen"Gaibéus" é um clássico do neo-realismo português: descreve o drama de um rancho de ceifeiros que do Norte do País descem a participar na batalha sem fim travada na lezíria. Esta obra já foi vertida no sistema Braille. Publicações Europa-América sente-se honrada por reeditar uma obra de um dos maiores escritores contemporâneos, que sempre soube defender os humilhados, ofendidos e deserdados....

Title : Gaibéus
Author :
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ISBN : 6384965
Format Type : Paperback
Number of Pages : 176 Pages
Status : Available For Download
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Gaibéus Reviews

  • Luís Miguel
    2019-06-24 11:26

    Faço questão de escrever aqui a minha opinião, para mais tarde me relembrar porque gostei ou não. Escrevo o que gostaria de ler sobre um livro, como se recorrentemente tivesse que o comprar. Sou parcial, no mais abonatório possível. Posto isto, este livro é muito bom, mas a sua leitura não foi prazenteira nem gostei particularmente do que li.Gaibéus é um retrato, uma janela para o mundo dos trabalhadores rurais que migravam, nos meses de Verão, para a monda/ceifa do arroz e milho no Ribatejo dos anos 20 e 30. É distante, frio e duro, sem entusiasmar ou exaltar o que quer que seja. Afigura-se como uma cápsula do tempo, onde quem a abrir tira as suas conclusões, adulteradas ao mínimo pelo autor.A perspectiva que esta escrita oferece é assustadoramente realista, não porque deslumbra para nos deixar de questionar se estamos a ser manipulados pelo escritor, mas porque o nível de detalhe é demasiado intenso para a ficção mais banal. Repetindo como rajadas de vento, a mesma frase (ou frases parecidas) vai permeando o leitor à rija epopeia dos gaibéus, fazendo passar a “imagem” de cada capítulo. As personagens são definidas ao mínimo nas suas características humanas - dá-lhes nomes e esconde-lhes a face – para realçar a sua função no “quadro”, como se dizendo: “podia ser qualquer um de nós“.Talvez os nossos avós ou bisavós tenham sofrido esta vida. Contudo, ainda hoje existem episódios de exploração laboral, que lembram a escravatura e esta poderia ser a sua reportagem. Redol faz de jornalista, de câmara e altifalante: largo na sua difusão e gélido no relato, para lembrar quem está sentado na poltrona a ler, do pobre que trabalha todo o dia lá fora. Conheço e sou humano o suficiente para estar consciente desta realidade, se bem que não a vivendo, senti-a bastante próximo.

  • Helena
    2019-06-04 14:32

    Opinião publicada em: As Horas... que me preenchem de prazer.Durante esta leitura lembrei-me várias vezes de Esteiros de Soeiro Pereira Gomes que, porém, conseguia ser mais suave na linguagem, mas igualmente cru nas realidades apresentadas: o trabalho infantil.Já Alves Redol opta por nos falar dos «gaibéus»: o povo que se resigna a migrar das suas terras até às lezírias do Ribatejo para a ceifa do arroz e a retornar a casa quando esta termina. Assim, seguindo a linha neo-realista, o colectivo é o protagonista e as personagens que surgem são representativas de cada mal que se pretende criticar.É o retrato de um grupo de camponeses, explorado, sujeito a condições extremas a todos os níveis: fome, doença, clima, insalubridade, ausência de privacidade, desgaste físico extremo. Nos casos das mulheres encontra-se a agravante de serem vistas como meros objectos sexuais, inapreciáveis após a «desonra».A história não segue uma personagem em particular mas várias, expondo os seus anseios e receios: Rosa que, escolhida pelo patrão, não mais pode fugir ao assédio a que sempre foi sujeita; a Ti Maria, vítima de malária, símbolo do abandono a que os idosos são votados após deixarem de ser considerados forças de trabalho; o par de aspirantes a emigrantes que, há pelo menos três anos, sonham partir e pedem conselho ao ceifeiro rebelde, aquele que já correu mundo e não conseguiu riqueza, apenas desilusão pelo mal e crueldade entre os homens.Por outro lado, o patrão Agostinho representa o chefe explorador, para o qual os assalariados são meras ferramentas, chegando ao ponto de escolher, de entre as mulheres, as que considera aptas à satisfação dos seus caprichos, logo dispensadas após o fim das colheitas. Dono e senhor, "Era preciso pressa - cada vez mais pressa", sempre que se aproximava. Impressionante pelo realismo, julguei sentir o pulsar dos corações dos camponeses, esbraseados pelo sol na ceifa inclemente, destituídos de ânimo na dureza das vidas, com "Ambições naufragadas, restos de alegrias e desditas (...) O presente era amargo, tão doloroso como o passado. Mas ali, naquele silêncio, guardava sonhos de criança, como se nunca tivesse entrado na vida e ainda a julgasse uma floresta de frutos de oiro".4,5/5*

  • Isabel Maia
    2019-06-06 09:34

    Segundo os dicionários, gaibéus eram jornaleiros (trabalhadores agrícolas contratados que recebiam um determinado salário por dia) da zona do Ribatejo ou da Beira Interior que trabalhavam nas ceifas ou nas mondas das Lezírias. Nesta obra em particular, Alves Redol conta a vida de um grupo destes jornaleiros que trabalhavam na monda do arroz numa das lezírias do Ribatejo. Homens e mulheres que vinham de outras terras, como alugados para um trabalho duro, de sol a sol, e de parcos ganhos. Toda a narrativa retrata com um realismo cruel o modo de vida dos gaibéus, que ganhavam o seu sustento na época das mondas do arroz. Os maus-tratos, as más condições de trabalho, a exploração nua e crua, o abismo social entre o proprietário e o assalariado, a resignação e passividade de uns e a consciência e angústia de outros, são o tema desta obra de um escritor português que está algo esquecido.Mais um escritor português que eu desconhecia e que me agradou bastante. Apesar de ser uma história dura e cruel, como referi em cima, não deixa de ser uma narrativa bem construída e que se lê bastante bem, apesar do registo da oralidade que Redol lhe imprimiu, registo esse que pode não ser tão familiar para a maioria das pessoas. Este é, sem dúvida, um livro que eu recomendo, um pouco como um alerta para as situações de escravidão que ainda hoje se verificam, em pleno século XXI, e que deveriam estar banidas, por força de sermos de facto pessoas e nações civilizadas, e não resquícios dos vícios do passado.

  • Vida Mulher aos 40
    2019-06-14 13:39

    Este livro publicado inicialmente em 1939 surpreendeu-me. Iniciei a primeira página e considerei se ainda compreenderia português, ou se estaria este livro escrito noutra língua que não domino?Uma cadeia de nomes comuns e coletivos para mim desconhecidos, acompanhados por verbos por mim nunca antes vistos. Apesar do susto inicial continuei a leitura. Aos poucos os nomes e verbos foram ganhando significado, pois Alves Redol descreve-nos em detalhe, o modo de vida perdido no tempo, de jornaleiros que se dirigiam ao Ribatejo para a apanha do arroz.Este livro foi uma verdadeira viagem a um tempo perdido sobre o qual nada conhecia. Terminei a leitura mais rica. Conheci vivências que nem adivinhava terem existido, enriqueci em muito o meu vocabulário na língua portuguesa, com palavras que apesar de fazem parte da língua, nunca as tinha visto utilizar. É divertido, após terminar o livro, voltar à primeira página e conseguir ler e compreender tudo o que lá está escrito.Deixo o desafio de lerem Gaibéus de Alves Redol.

  • Margarida
    2019-06-22 08:36

    Em 2014, o jornal Público, em parceria com A Bela e o Monstro, Edições, lançou uma colecção de livros proibidos pelo Regime, sendo o primeiro volume «Gaibéus». Li, então, a reprodução da primeira edição, de autor, publicada em dezembro de 1939 e editada pela Livraria Portugália - Lisboa (com algumas gralhas e erros, sinalizados em Erratas pelo autor: «As que a revisão deixou passar, o leitor as corrigirá.») . Gaibéus, os trabalhadores sazonais que vão trabalhar nos arrozais do Ribatejo, naquelas lezírias imensas, e como a sua força braçal e as condições terríveis de sobrevivência durante a ceifa contrasta com a boa vida do patrão, que também aproveita para explorar as jovens mulheres.Um exemplo do neo-realismo, traduzindo as desigualdades sociais e a exploração do trabalho.

  • Edgar Almeida
    2019-06-12 07:27

    Por vezes torna se difícil de ler sem um dicionário ao lado, devido aos termos empregados pelo autor, mas após se dominar a escrita do autor, o retrato cru da vida dos Gaibéus salta das páginas levando nos a sentir as dores e preocupações daquelas gente de um passado, não tão distante.

  • Rosa Ramôa
    2019-05-28 09:27

    A união faz a força e resolve imensos problemas...

  • Ela Is
    2019-06-17 12:14

    O livro tem uma crítica social e tal, mas... nossa, muito chato de ler!!! O tédio domina.

  • Gcardoso
    2019-06-17 15:30

    Gostei porque está muito bem escrito e o retrato dos gaibéus muito bem conseguido. Acho que não gostei mais porque na minha opinião o vocabulário utilizado pelo autor chega a ser pretensioso. Parece-me existir um exagero na utilização de palavras menos comuns, o que não seria problema, se eu não sentisse que por vezes é um estilo forçado, o que torna o livro entediante em algumas passagens.Se calhar tinha uma expectativa demasiado elevada em relação a este livro.

  • Ricardo Baptista
    2019-05-31 08:36

    Mais estudo etnográfico que romance, Baigéus é permeado pelo sangue, suor e lágrimas dos alugados. A repetição é o método elegido para ritmar a obra.

  • Dora
    2019-06-18 12:33

    Alves Redol publica o romance Gaibéus em 1939, este é a sua contribuição inestimável para a força e definição da corrente literária da denúncia das injustiças sociais em Portugal: o Neo-Realismo. Gaibéus assume uma dimensão de intervenção social, inevitavelmente derivada das graves condições de vida da população portuguesa dos anos 30 e 40 do século passado, influenciada pelo pós-guerra e pela sedução dos sistemas socialistas que o clima português de ditadura se encarregou de mitificar.Em rompimento com o alheamento que apontavam aos presencistas em relação ao quadro socio-político que engolia o país, uma nova voz ergueu-se o mais que pôde para denunciar esta nova realidade e, simultaneamente, apresentar um novo modo de encará-la. O indivíduo deveria considerar-se a parte de um todo e ter consciência que a melhoria da sua condição de vida implicaria a mobilização de vários outros homens.É também notória na obra uma preocupação de demarcação do universo restritivamente ficcional, uma vez que a história parte da experiência vivida e documentada nas margens do Tejo durante o Ciclo do Arroz. Para além de romance de intervenção, interessa pensar nesta obra como um romance pictórico. Isto tendo em conta a descrição das paisagens ribatejanas, os gestos e expressões das suas personagens e, essencialmente, as cores que as ornamentam.Podemos pensar que talvez Alves Redol apenas tenha tomado consciência efectiva da miséria na capital angolana, mas percebemos que é no seu regresso a Portugal que dá voz e expressão a essa percepção estudando e escrevendo sobre a pureza e os singulares hábitos dos povos da Lezíria.Preferindo a narração à descrição extenuante, o narrador coloca em confronto o homem e a sociedade através da apresentação e exploração da vivência de uma comunidade em específico.

  • Marco Caetano
    2019-06-09 07:25

    "Gaibéus eram trabalhadores oriundos do Alto Ribatejo e Beira Baixa que desciam às lezírias para fazer mondas e ceifas." Esta é a primeira definição que importa saber para perceber este romance.O amor à terra é por demais evidente neste livro. Alves Redol, nascido em Vila Franca de Xira, mostra através desta obra as dificuldades pelas quais passaram os nossos antepassados que se dedicavam ao campo.Numa clara visão de esquerda, mostra-nos como as pessoas eram exploradas até à exaustão, sem condições de trabalho em troco de uma mísera recompensa para ajudar a sobreviver ao Inverno. Talvez por isso seja por muitos considerada a obra que marca o aparecimento do neo-realismo literário em Portugal.Vale a pena tomar conta desta realidade para assim podermos valorizar de forma diferente o nosso tipo de vida actual. Devo no entanto alertar que por vezes a leitura deste livro se torna um pouco fastidiosa de tão exaustivo que é.Págs. 310Ref. ISBN: 972-21-0459-4Editora: Editorial Caminhohttp://conspiracaodasletras.blogspot....

  • Vasco Ribeiro
    2019-06-27 10:42

    História simples que nem eleva demasiado, nem cai no desinteressante. Um grupo de pessoas vai trabalhar para aceifa do arroz junto ao tejo onde os designam pejorativamente como Gaibéus. Todos os grupos têm um capataz, e são mais ou menos explorados. Pequenas histórias dentro deste grupo onde avultam, as histórias do pequenos rapazes que lá vão como aguadeiros e que interagem com rapazes da terra, muito mais livres. e a história da cobiçada jovem, a Rosa, que por requestada por todos, principalmente pelo patrão, agostinho serra, ali perdeu o que tinha de mais precioso, a honra, e regressa à terra mais pobre do que viera, pesar de na jornada ter tido o privilégio (não desejado por ela) de ir para casa do patrão.

  • Ana Correia
    2019-06-13 09:25

    Uma historia que nos pertence a todos. Nao e facil contar uma historia tao colada a realidade, ainda mais quando nao se trata de uma realidade facil, de uma forma tao cativante. Penso que o melhor deste livro e o facto de o autor conseguir contar a historia da perspectiva dos personagens, e tal como estes achar quase natural o destino a que estao 'condenados'. Os sentimentos variam entre a revolta pela ignorancia das partes envolvidas, ao reconhecer de um povo, ao sorrir com a leveza com que enfrentam o que a vida lhes da. Um daqueles livros que nao se consegue parar de ler.

  • Pequete
    2019-06-08 14:19

    Gostei mesmo muito deste livro, que tem uma prosa muito bonita, às vezes até um pouco poética, e que relata a vida dos gaibéus - trabalhadores "alugados"que vinham do centro e norte do país para trabalhar nas lezírias do Tejo, na ceifa do arroz. Uma vida desgraçada, a fazer lembrar a letra de uma canção antiga do Sérgio Godinho "Vi-te a trabalhar o dia inteiro, Muita força p´ra pouco dinheiro"... Muito bom.

  • Maria
    2019-05-31 10:29

    É um clássico da literatura portuguesa que retrata a vida nua e crua dos trabalhadores sazonais nos campos da lezíria do Tejo.É um livro muito interessante, realista.Gostei desta crítica que partilho aqui:http://aminhaestante.blogspot.pt/2012...